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Notícias

  23/09/2009 

Em todo o país, bancários sinalizam forte greve nacional contra proposta de 4,5% para amanhã

Após várias rodadas de negociação, os banqueiros e do Governo Lula apresentaram uma proposta de 4,5%. Em resposta, os bancários constroem uma forte greve nacional para amanhã.

Os bancários de todo o país estão diante de uma duríssima luta. Enfrentam a truculência do setor patronal mais poderoso do país e a intransigência do Governo Lula, que segue governando para os banqueiros. A política de Lula para salvar os lucros do setor financeiro se choca diretamente com as reivindicações dos bancários, que estão sofrendo na pele o assédio moral, a pressão por metas e um aumento absurdo no ritmo de trabalho.

Para sair da crise e continuar lucrando, banqueiros aumentam a exploração com o apoio de Lula

O Governo Lula continua seguindo à risca o seu papel de capacho do imperialismo e dos especuladores nacionais e internacionais. Para salvar os banqueiros da crise econômica, Lula decretou no ano passado um pacote de socorro financeiro aos bancos, expresso principalmente na transferência de recursos e numa lei (Medida Provisória 443) que dá liberdade aos principais bancos estatais (Caixa e Banco do Brasil) para comprar ações podres das instituições financeiras à beira da bancarrota. Do ano passado para cá, Lula liberou mais de 160 bilhões ao sistema financeiro, transformando o PROER de FHC (que custou mais de 20 bilhões) numa verdadeira bagatela.

No entanto, esse mega-socorro de Lula não diminuiu a sede dos bancos pelo lucro. Mesmo com uma vultosa ajuda, os banqueiros (e o próprio Governo Lula enquanto patrão dos bancos estatais) continuam intensificando a exploração sobre os bancários. As demissões, o assédio moral e a pressão por metas são os reflexos da necessidade que os patrões têm de continuar com seus níveis absurdos de lucratividade.

É justamente por conta da política pró-banqueiro de Lula e do aumento da exploração, que mesmo diante de uma queda na taxa de lucro de conjunto, os bancos continuam ganhando. A Caixa divulgou no mês de agosto o seu balanço do 1º semestre e registrou um lucro líquido de R$ 706 milhões. O Banco do Brasil alcançou um lucro de R$ 4,01 bilhões, somente no primeiro semestre de 2009. O conglomerado Itaú-Unibanco ultrapassou todas as expectativas e lucrou R$ 4,586 bilhões também somente no primeiro semestre.

Para se ter uma idéia ainda maior do absurdo que significa essa lucratividade, basta dizer que numa pesquisa realizada no mês passado pela Folha de São Paulo, foi constatado que os 21 bancos que apresentaram seus resultados tiveram um lucro líquido de R$ 14,33 bilhões, o que corresponde a quase 25% do total de ganhos de todas as empresas de capital aberto no Brasil. Se dividíssemos toda essa lucratividade linearmente com quem realmente trabalha, cada bancário receberia um valor de aproximadamente R$ 30 mil. Isto significa que os banqueiros conseguem abocanhar ¼ de tudo o que é lucrado no país, sem produzir um único parafuso sequer.

Contraditoriamente, os bancos que operam no Brasil não só não dividem essa lucratividade com os trabalhadores, como fazem questão de esbanjar luxos megalomaníacos. Recentemente, a Caixa custeou uma pomposa viagem à França para 100 empregados da empresa (a maioria executivos e gestores), como "prêmio" por terem alcançado metas astronômicas, ou seja, por um resultado fruto do assédio e da pressão sobre a maioria dos trabalhadores - que não passaram nem perto de Paris.

Mas isto não é tudo. Mesmo com toda a lucratividade, os bancos fecharam 2.224 postos de trabalho somente no primeiro semestre, segundo dados do DIEESE. Além disso, as instituições financeiras utilizaram o mecanismo da rotatividade, demitindo os trabalhadores mais antigos e com maiores salários e direitos. Foram 15.459 demissões contra 13.235 contratações, o que mostra que a palavra de ordem dos banqueiros é arrochar salários, fechar postos de trabalho e explorar os que continuam trabalhando, sob a ameaça do desemprego.

O Governo Lula tem totais condições de por um fim nesse ciclo e reverter esse quadro editando uma lei que assegure o emprego e impeça as demissões, estatizando sob o controle dos trabalhadores o sistema financeiro e todos os bancos que demitirem. Entretanto, a subserviência de Lula frente aos banqueiros (que financiam as campanhas eleitorais do PT) não possibilita isso, pelo contrário, faz com que o Governo, na prática, financie literalmente todas essas demissões e todos os ataques aos trabalhadores bancários.

O papel criminoso da CUT

Além de lutar contra os banqueiros e o Governo, os trabalhadores ainda se vêem obrigados a enfrentar mais um inimigo: a burocracia sindical da CUT, que cada vez mais coloca a luta dos trabalhadores num segundo plano, em nome da defesa de Lula.

A Central Única dos Trabalhadores tem total ciência da realidade vivida pelos bancários, inclusive porque todos os dados sobre os lucros dos bancos e sobre a crescente exploração sofrida pela categoria foram divulgados por ela, através do portal da CONTRAF (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, ligada à CUT).

Entretanto, o governismo da CUT faz com que essa entidade ignore tudo isso e cumpra um papel criminoso, servindo de escudo de Lula (e conseqüentemente, dos banqueiros) num momento em que os trabalhadores bancários estão se organizado e lutando por suas reivindicações imediatas e históricas.

Em São Paulo, o Sindicato (ligado à CUT) sequer chamou assembléia para definir a pauta de reivindicações da categoria. Simplesmente determinou que a pauta dos trabalhadores seria a que foi votada na Conferência Nacional da CONTRAF (um fórum formado majoritariamente pela cúpula da CUT), que definiu um índice unificado 10% quando as perdas da categoria já somam cerca de 25% no setor privado e mais 80% no setor público.

Além disso, durante a Conferência Nacional, a corrente que controla a CUT (Articulação) tentou aprovar que a Campanha Salarial agora tenha a validade de dois anos, como forma de não atrapalhar as campanhas eleitorais dos candidatos governistas. Essa tentativa gerou uma crise na Conferência e a proposta foi retirada, no entanto, não temos nenhuma garantia de que os sindicalistas da CUT não irão defender essa proposta nas assembléias, caso os banqueiros e o Governo Lula tentem incluí-la no Acordo Coletivo. O que vem acontecendo na Campanha Salarial dos trabalhadores dos Correios é uma prova disso.

Durante as "negociações", a CONTRAF/CUT também se negou sistematicamente a construir um calendário de mobilizações que apontasse para uma greve, mesmo após mais de um mês sem nenhuma sinalização dos patrões.

MNOB propõe greve e unificação das lutas


O MNOB/Conlutas vem se apresentando como uma alternativa para os trabalhadores bancários diante do peleguismo da CUT. Em julho, o MNOB/Conlutas - juntamente com os sindicatos de Bauru, Maranhão, Rio Grande do Norte e diversas oposições - realizou um Encontro Nacional que construiu uma pauta de reivindicações baseada na participação e nos interesses da categoria. A pauta, que já foi entregue aos banqueiros e às direções dos bancos estatais, exige, entre outras reivindicações: 30% de reajuste para toda a categoria, negociações específicas com os bancos públicos pela reposição integral das perdas, jornada de 6h para todos sem redução de salário, fim das metas e do assédio moral, etc.

Entretanto, a luta por essas reivindicações não será uma luta fácil. A CUT continua utilizando a Mesa Única da FENABAN (espaço controlado pelos banqueiros privados que define o índice de reajuste da categoria) para evitar as negociações diretas com as direções dos bancos estatais e assim não colocar o Governo Lula na linha de tiro da categoria.

Em sintonia com a disposição da categoria, que já demonstrava que a resposta a tanta intransigência deve ser com greve, o MNOB/Conlutas aprovou uma proposta de calendário que foi lançada em todo o Brasil, para que os trabalhadores pressionassem as direções e construíssem a mobilização da categoria. Essa proposta, que apontava uma assembléia para o dia 23/09 com deflagração de greve por tempo indeterminado a partir do dia 24/09, recebeu o apoio dos trabalhadores e em meio a muita pressão e diante do índice de reajuste vergonhoso oferecido pelos patrões, a CONTRAF/CUT se viu obrigada a aderir ao calendário do MNOB/Conlutas e chamar a greve.

Na semana passada (17/09), Lula e os banqueiros ofereceram uma proposta de 4,5% de reajuste. Este índice é uma provocação, principalmente diante de uma categoria que acumula tantas perdas e do setor patronal que mais lucra no país. Os bancários receberam essa proposta com muita indignação e já começam a construir a greve.

Nesse momento de crise econômica, é fundamental a unificação das lutas da classe trabalhadora e através dela, construir paralisações nacionais de todas as categorias em luta. Trabalhadores dos Correios, da saúde, metalúrgicos, professores, químicos, etc. já estão com suas campanhas em curso e por isso, é necessário exigir das direções sindicais a aprovação de um calendário que unifique a Campanha Salarial dos bancários com as atividades de todos os outros trabalhadores. Este é um elemento que intensifica a resistência frente às medidas do Governo e dos patrões, e pode desencadear lutas mais radicalizadas contra os efeitos da crise pesam sobre nossos ombros.


Juary Chagas é diretor do Sindicato dos Bancários  de Natal (RN), também escreve o blog http://juary-chagas.blogspot.com
Fonte: Conlutas
Última atualização: 23/09/2009 às 11:22:00
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