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Notícias |
10/09/2009 |
Desigualdade retoma o patamar pré-crise |
As seis principais regiões metropolitanas brasileiras dão sinais de que estão se recuperando da crise, segundo estudo divulgado ontem pelo economista Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Ao analisar a evolução da renda na Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE (PME) especialmente de julho de 2008 a julho deste ano, Neri detectou que a desigualdade, que havia dado sinais preocupantes de aumento nos primeiros meses deste ano, no pico da crise, praticamente voltou aos patamares de 12 meses atrás.
De 2003 a 2008, a série histórica mostra que a pobreza e a desigualdade caíram de forma praticamente constante. Esse movimento de melhoria foi interrompido em janeiro deste ano, quando os efeitos da crise começaram a ser percebidos com mais força nas regiões metropolitanas brasileiras.
A piora verificada nos quatro primeiros meses do ano, no entanto, foi compensada pela melhoria na PME em maio, junho e julho. Com isso, os indicadores de desigualdade e pobreza voltaram praticamente aos patamares de 12 meses antes. "O que houve foi um empate, o que não é ruim em tempos de crise. Mas a questão agora é o que vai acontecer no futuro: voltaremos a melhorar com a pujança de antes ou ficaremos estagnados nessa situação atual?", indaga o pesquisador.
Em julho de 2003, 47% dos brasileiros estavam nas classes D ou E, definidas no estudo como aquelas em que a renda domiciliar total é inferior a R$ 1.115. Em julho de 2008, essa proporção caiu para 33%. Neste ano, no mesmo mês, o percentual registrado foi de 32%.
No caso da desigualdade, que é medida pelo índice Gini, de julho de 2003 a julho de 2008 a redução foi de 5,8%. De julho de 2008 a julho deste ano, houve ligeiro aumento de 0,3%.
A análise mensal, no entanto, mostra que apenas em janeiro houve um aumento de 2,5% em relação a dezembro do ano passado. Esse pico foi compensado em parte pela redução verificada a partir de abril. Isso fez com que o indicador de todo o período de 12 meses de julho a julho ficasse praticamente estável.
Pobres querem seguros
O Centro de Políticas Sociais da FGV apresentou também uma pesquisa sobre o setor de seguros voltado para a população de baixa renda. A conclusão é de que há uma demanda reprimida para esse serviço no Brasil, mas é necessário desenvolver tecnologias que permitam ao trabalhador mais pobre e do setor informal ter acesso a um seguro. Com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE, de 2003, foi possível identificar que 17% dos brasileiros têm algum tipo de seguro privado de saúde, carro, vida ou residência.
Como de 2003 a 2009, segundo Neri, 27 milhões de brasileiros foram incorporados às classes C, D e E (aquelas com renda domiciliar total abaixo de R$ 1.115), o economista aponta que o mercado de seguros no país teve bastante campo para se expandir no período.
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| Fonte: Jornal Diário do Nordeste |
| Link: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=669589 |
| Última atualização: 10/09/2009 às 11:12:00 |
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