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Notícias

  02/09/2009 

Nota do MST sobre ataque da Veja

Fizemos uma mobilização em todo o país e um acampamento em Brasília em
defesa da Reforma Agrária e obtivemos vitórias importantes,
relacionadas à solução dos problemas dos trabalhadores do campo. A
jornada de lutas conquistou do governo federal medidas fundamentais,
embora estejamos longe da realização da Reforma Agrária e da
consolidação de um novo modelo agrícola. Além disso, demonstrou à
sociedade e à população em geral, que apenas a organização do povo e a
luta social podem garantir conquistas para os trabalhadores e
trabalhadoras.

A principal medida do governo, anunciada durante a jornada, é a
atualização dos índices de produtividade, que são utilizados como
parâmetros legais para a desapropriação de terras para a Reforma
Agrária. Os ruralistas, o agronegócio e a classe dominante brasileira
fecharam posição contra a revisão dos índices e passaram a utilizar os
meios de comunicação para pressionar o governo a voltar atrás. Estamos
atentos. Se no dia 03, data prevista para a publicação da portaria, o
governo descumprir o acordo, não vamos aceitar calados.
Essas conquistas deixaram revoltados aqueles que defendem apenas seus
interesses, patrimônio e lucro, buscando aumentar a exploração dos
trabalhadores, da natureza e dos recursos públicos. Nesse contexto,
diversos órgãos da imprensa burguesa - os verdadeiros porta-vozes dos
interesses dos capitalistas no campo - como Revista Veja, Estado de S.
Paulo, Correio Braziliense, Zero Hora e a TV Bandeirantes, passaram a
atacar o Movimento para inviabilizar medidas progressistas
conquistadas com a luta.

Não há nenhuma novidade na postura política e ideológica desses
veículos, que fazem parte da classe dominante e defendem os interesses
do capital financeiro, dos bancos, do agronegócio e do latifúndio,
virando de costas para os problemas estruturais da sociedade e para as
dificuldades do povo brasileiro. Desesperados, tentam requentar velhas
teses de que o movimento vive às custas de dinheiro público. Aliás,
esses ataques vêm justamente de empresas que vivem de propaganda e
recursos públicos ou que são suspeitas de benefícios em licitações do
governo de São Paulo, como a Editora Abril.

Diante disso, gostaríamos de esclarecer a nossos amigos e amigas, que
sempre nos apóiam e ajudam, que nunca recebemos nem utilizamos
dinheiro público para fazer qualquer ocupação de terra, protesto ou
marcha. Todas as nossas manifestações são realizadas com a
contribuição das famílias acampadas e assentadas e com a solidariedade
de cidadãos e entidades da sociedade civil. Temos também muito orgulho
do apoio de entidades internacionais, que nos ajudam em projetos
específicos e para as quais prestamos conta dos resultados em
detalhes. Todos os recursos de origem do exterior passam pelo Banco
Central. Não temos nada a esconder.

Em relação às entidades que atuam nos assentamentos de Reforma
Agrária, que são centenas trabalhando em todo o país, defendemos a
legitimidade dos convênios com os governos federal e estaduais e
acreditamos na lisura do trabalho realizado. Essas entidades estão
devidamente habilitadas nos órgãos públicos, são fiscalizadas e,
inclusive, sofrem com perseguições políticas do TCU (Tribunal de
Contas da União), controlado atualmente por filiados ao PSDB e DEM.
Desenvolvem projetos de assistência  técnica, alfabetização de
adultos, capacitação, educação e saúde em assentamentos rurais, que
são um direito dos assentados e um dever do Estado, de acordo com a
Constituição.

Não esperávamos outro procedimento desses meios de comunicação. Os
ataques contra o Movimento são antigos e nunca passaram da mais pura
manifestação de ódio dos setores mais reacionários da classe dominante
contra trabalhadores rurais que se organizaram e lutam por seus
direitos. Vamos continuar com as nossas mobilizações porque apenas a
pressão popular pode garantir o avanço da Reforma Agrária e dos
direitos dos trabalhadores, independente da vontade da classe
dominante e dos seus meios de comunicação.




Fonte: Secretaria Nacional do MST
Link: http://www.mst.org.br/node/8022
Última atualização: 02/09/2009 às 08:30:00
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