“Oque mais Impacta na Redução da Pobreza: é o Crescimento da Renda ou a Redução da Desigualdade?”. Os pesquisadores do Laboratório de Estudos da Pobreza (LEP) do Curso de Pós-Graduação em Economia (Caen) da Universidade Federal do Ceará (UFC), que realizaram pesquisa com o mesmo título, não têm dúvida de que é a redução da desigualdade. E a vitória é de goleada. Enquanto o aumento de 10% na renda média produz uma queda de 7,11% na pobreza, com a redução de igual percentual na desigualdade cai 11,25% nas regiões Norte e Nordeste. A diferença é ainda maior entre os que são extremamente pobres e nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde existem menos desiguais.
Segundo o estudo apresentado ontem pelos professores/pesquisadores Flávio Ataliba e Carlos Manso, no Brasil o problema da desigualdade é agravado quando se analisa a distribuição espacial no País. Considerando o período de 1995 a 2007, a evolução da renda familiar per capita no Brasil e regiões Sudeste e Nordeste mostra quedas de 6,71%, 13,13% e 26,78%, respectivamente. Mas se a renda nordestina foi quatro vezes maior que a do Sudeste, no caso da queda a desigualdade, no mesmo intervalo, a desta região (-8,05%) é mais acentuada. Além disso, os índices de pobreza também foram maiores no Nordeste.
PIB
Para Ataliba, a conjunção renda maior e desigualdade menor provoca esse efeito. Por isso, avalia que mais importante que destacar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) - e que o PIB do Estado vai crescer mais que o do Brasil -, é acompanhar a queda da desigualdade e a velocidade com que isso ocorre. É isso que vai refletir na melhoria de qualidade de vida da sociedade, especialmente dos mais pobres. “Temos comprovadamente um número estatístico, um estudo, demonstrando isso”, diz, salientando que em sociedades de alta desigualdade esse resultado sozinho não é suficiente para indicar bem-estar. Considera um equívoco a sociedade acreditar que só o PIB vai reduzir a pobreza. “Comprovadamente, o peso da redução da desigualdade é maior”.
Ataliba e Manso explicam que a diminuição da desigualdade se dá através de políticas públicas, de médio e longo prazos, para a educação, saúde, saneamento, qualificação profissional e outras focadas na formação do homem. Destacam que a desigualdade tem um custo e nós pagamos esse custo através dos impostos que financiam segurança, tratamentos de saúde, presídios e outros gastos que o Estado poderia deixar de arcar se tivesse menos desigualdade de renda, de educação, de saúde, de oportunidades de trabalho etc. “Nós pagamos o preço da desigualdade”, acentua Manso.
O estudo do LEP foi baseado nos cálculos de elasticidades renda-pobreza e desigualdade-pobreza. Eles medem quanto a pobreza cai se a renda aumentar, em 10%, por exemplo, e se a desigualdade cai no mesmo percentual. E a conclusão é que as políticas de combate à pobreza, por meio da redução da desigualdade, são mais efetivas que o aumento da renda.
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