O Copom (Comitê de Política Monetária) anunciou ontem que, a partir de hoje, a Selic sobe de 18,25% para 18,75% ao ano. A curta nota divulgada ontem pelo Banco Central sinaliza que haverá nova alta em março. Foi a sexta elevação seguida da Selic, um fato inédito. Com isso, o Brasil disparou na liderança do ranking dos países com maiores taxas de juros reais do mundo.
A explicação do governo para elevar a taxa de juros que baliza a economia é que a medida é congruente com a política monetária do governo, baseada no sistema de meta de inflação. Ou seja, para mantê-la sob controle, o governo aumenta a taxa de juros cada vez que o aquecimento da economia sinaliza que a inflação poderá ultrapassar a meta, definida para este ano em 5,1%.
Com o crescimento da economia no ano passado – em torno de 5,3%, segundo estimativas –, a demanda por crédito e o aquecimento do consumo pressionam os preços. Para coibir o consumo, o governo encarece o preço do dinheiro, ou seja, aumenta a taxa de juros, mas isso também reduz o crescimento da economia, o que afeta a criação de empregos.
Outro efeito da alta dos juros é sobre o endividamento do país. Cada vez que a Selic sobe, a dívida pública aumenta. Isso porque o governo passa a remunerar mais o dinheiro que capta no mercado financeiro por meio da emissão de títulos públicos. Esta dívida cresceu 11% no ano passado e, para reciclá-la, precisa-se oferecer taxas atrativas, isto é, maiores taxas de juros num processo cumulativo.
“O Brasil, que acumula séculos de mazelas sociais, não pode se dar ao luxo de parar de crescer. O Copom só se preocupa com metas de inflação, desprezando o problema de desemprego que o país atravessa – a maior preocupação do povo brasileiro. Está mais do que provado que o aumento da taxa de juros não é o melhor caminho a ser seguido. Por isso, a AFBNB se posiciona contra essa elevação sistemática adotada pelo Copom”, afirmou o presidente da AFBNB, José Frota de Medeiros.
CUT propõe mudança no CMN
Para a Central Única dos Trabalhadores não é mais possível apenas reclamar da política de juros conservadora adotada pelo Copom. Está na hora de mudar as bases que sustentam esta política, ou seja, o Conselho Monetário Nacional (CMN).
Diante desta nova elevação da Taxa Selic, a CUT convidará entidades empresariais, centrais sindicais e representantes do mundo acadêmico para lançar uma campanha pela mudança na composição do CMN. Ele é o órgão normativo máximo do sistema financeiro – superior ao Banco Central e ao próprio Comitê de Política Monetária (Copom) –, e é responsável pela definição de metas de inflação, taxas de juros de longo prazo e diretrizes gerais de crédito.
Para a Central, é preciso ampliar o CMN, abrindo-o à participação de representantes dos setores produtivos, inclusive trabalhadores. Hoje, o órgão é composto apenas pelos ministros da Fazenda e do Planejamento e o presidente do Banco Central. Sua ampliação é a única maneira de tornar efetiva mudanças na política de juros e permitir que o País adote um novo rumo para garantir o seu desenvolvimento.
A CUT organizará reunião para detalhar o lançamento desta campanha em 15 dias.
* Com informações do Diário do Nordeste e da CUT. |