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26/06/2009 |
Emergentes tentam se desenvolver com justiça social |
Seminário que analisou modelos de desenvolvimento foi encerrado pelo embaixador Samuel Pinheiro Guimarães. No segundo e último dia do VII Seminário Trajetórias de Desenvolvimento, realizado no auditório do Ipea (SBS, Ed. BNDES, subsolo), especialistas apresentaram pela manhã as estratégias adotadas por África do Sul e Índia. Os dois países integram, com o Brasil, o grupo Ibas, fórum de discussão político-econômica que está entre as prioridades do governo brasileiro.
Alexandre de Freitas Barbosa, da Universidade de São Paulo (USP), explicou como a África do Sul, maior economia do continente africano, busca ingressar no mundo desenvolvido. "É o país mais semelhante ao Brasil que nós podemos encontrar", afirmou. Segundo Barbosa, o governo do presidente Jacob Zuma é responsável hoje pela economia que representa um terço do PIB da África.
A África do Sul sofre até hoje as consequências do regime segregacionista do apartheid, instaurado de maneira explícita em 1948. As rápidas mudanças começaram em 1990, com a libertação do líder negro Nelson Mandela e sua posterior posse como presidente, em 1994. "O país se transformou numa democracia multirracial nesse intervalo", lembrou Barbosa. Com Mandela, teve início o programa de desenvolvimento Reconstruction and Development.
O projeto durou até 1996, teve eficácia limitada e acabou substituído pelo Growth, Employment and Redistribution (Gear), que também fracassou em várias iniciativas. Houve enfraquecimento do investimento interno devido aos juros altos e crescimento econômico reduzido, de 2,5% ao ano em média. Depois da crise internacional de 2002, a África do Sul estabeleceu outro programa de desenvolvimento, o ASgiSA (Accelerated Shared Growth Initiative for South Africa), que possui muitas semelhanças com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) brasileiro.
No entanto, como ressaltou Barbosa, a África do Sul ainda carece de melhor coerência entre a política econômica, externa e social. Entre 2000 e 2007, a África do Sul conseguiu reduzir a parcela da população em situação de pobreza de 50% para 40%. "Ainda assim, eles disputam com o Brasil, raia a raia, o posto de país com maior desigualdade", disse o estudioso da USP. "Houve ampliação da desigualdade inter-racial com o surgimento da 'burguesia negra' e uma queda na desigualdade intrarracial."
Experiência indiana
Daniela Prates, do Instituto de Economia da Unicamp, apresentou durante o seminário no Ipea a trajetória de desenvolvimento da Índia, onde a distribuição de renda piorou nos últimos anos. "Eles seguiram o que os teóricos tradicionais sempre defenderam: política de liberalização gradual e não um tratamento de choque na economia, como ocorreu em regimes do Cone Sul", explicou Prates.
A Índia implementou reformas liberalizantes na segunda metade da década de 1980. Depois da crise internacional de 1991, houve uma nova onda de reformas, e a estratégia de desenvolvimento deixou de ser "voltada para dentro". Essas modificações fizeram com que o país asiático ingressasse no século 21 com índices econômicos de dar inveja a outros emergentes. Foi dada preferência a políticas industriais - embora tenha havido desmonte de iniciativas governamentais para proteção do setor -, liberalização comercial e reforma no setor financeiro doméstico.
Ainda assim, a Índia manteve instrumentos de direcionamento de crédito e instituições que se assemelham ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica. Ao lado da China, foi o único emergente a registrar crescimento econômico no primeiro trimestre de 2009. O desafio, agora, é conquistar mais avanços no combate à pobreza. |
| Fonte: IPEA |
| Última atualização: 26/06/2009 às 10:09:00 |
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