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Notícias

  08/06/2009 

BC deveria baixar juros, diz analista

Amanhã começa a reunião do Copom para definir na quarta a nova taxa de juros. Especialista defende queda para estabilizar dólar

A recente queda da cotação do dólar, com a forte entrada da moeda norte-americana no país, tem provocado um debate sobre a necessidade de reduções mais intensas na taxa básica de juros, a Selic, e de aumento na tributação de capital estrangeiro de curto prazo e especulativo.

A queda da Selic reduziria o interesse de investidores estrangeiros em trazer dinheiro para o Brasil. A diferença entre a taxa básica brasileira e as praticadas fora do País aumenta a atratividade das aplicações locais. Investidores tomam recursos fora do País a uma taxa
de juros baixa, convertem os dólares em reais e aplicam os recursos aqui.

A forte entrada de recursos estrangeiros no País tem sido apontada como uma das razões para a forte queda do dólar no Brasil. “Os juros reais no Brasil estão em 5% e no resto do mundo, próximos de zero. Os juros no Brasil deveriam se aproximar ao máximo dos praticados fora do País”, diz o economista Antônio Corrêa de Lacerda, da PUC de São Paulo.

A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que define a Selic, será realizada amanhã, 9, e quarta-feira, 10. A expectativa de analistas de mercado, ouvidos pelo Banco Central, é de uma redução dos juros básicos dos atuais 10,25% para 9,5% ao ano.

Segundo Lacerda, se o dólar ficasse em torno de R$ 2 os efeitos na economia não seria tão danosos. Mas, acrescenta ele, a continuidade de queda acentuada do dólar leva a uma redução das exportações brasileiras e afeta a os investimentos na produção doméstica, uma vez que a
importação de produtos fica mais barata e passa a crescer.

“A importação para substituir a produção local não gera emprego e reduz a arrecadação de tributos”, disse. No caso da importação de máquinas e equipamentos, que indicam incremento na produção no país, Lacerda sugere que sejam zerados o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e a tarifa de importação para estimular a compra desses produtos.

Lacerda também defende que, além de reduzir os juros os básicos, o BC intensifique a compra de dólares que estão entrando fortemente no país.
O BC tem feito leilões de compra de dólares no mercado à vista diariamente desde o dia 8 de maio deste ano. Outra ação necessária, na visão de Lacerda, é a tributação maior para inibir a entrada de capital especulativo.

O presidente do BC, Henrique Meirelles, disse que “não se justifica no momento” a retomada da cobrança do IOF nos investimentos estrangeiros em renda fixa

Fonte: Jornal O Povo
Link: http://www.opovo.com.br/opovo/economia/883624.html
Última atualização: 08/06/2009 às 11:09:00
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