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Notícias

  05/06/2009 

A voz das vítimas, quem a escutará?

Os 192 chefes de Estado ou governo foram convocados pela ONU para discutir a crise econômico-financeira e seus impactos sobre os diferentes países, especialmente sobre os pobres. Para prepará-la, o presidente da Assembleia Miguel‘Escoto Brockmann, ex-chanceler da Nicarágua, criou uma Comissão para a Reforma do Sistema Financeiro e Monetário Internacional constituída por 20 celebridades da economia e da politica sob a coordenação do prêmio Nobel de economia Joseph Stiglitz.

Os resultados já foram entregues e sabe-se mais ou menos os conteúdos principais. Como arco teórico, ético e humanístico que deve inspirar as novas medidas concretas é sugerida uma Declaração Universal do Bem Comum da Humanidade e da Terra, tarefa difícil de ser realizada por falta de tradição jurídica e social nesta área. Em seguida, recomenda-se a criação de um Conselho Mundial de Coordenação Econômica, paralelo ao Conselho de Segurança, desdobrado em duas autoridades mundiais, uma que cuida da regulação financeira e a outra da concorrência na economia. Sugere-se uma reforma das instituições de Bretton Woods (FMI e Banco Mundial) e uma regionalização das instituições financeiras que apoiam os processos de desenvolvimento.

Pede-se ainda que, uma vez ao ano, os chefes de Estado ou de governo de todo o mundo se encontrem para discutir o estado da Terra e da Humanidade e tomar medidas coletivas. Mas há pressões contrárias, que têm por detrás duas maneiras diferentes de enfrentar a crise atual. Uma é a do G-20, que se reuniu em Londres, em abril. Fundamentalmente se propõe salvar o sistema econômico-financeiro imperante para que, no fundo, tudo funcione como antes, com certos controles mas com níveis razoáveis de crescimento, mesmo sacrificando o equilíbrio da Terra e perpetuando o escandaloso fosso entre ricos e pobres.

A outra é dos grupos altermundistas, presentes em todos os estratos sociais do mundo e, em parte, assumida pela Comissão da ONU. Trata-se de situar a crise econômica no conjunto das demais crises: a energética, a alimentária, a do aquecimento global, a da insustentabilidade do planeta e a social e humanitária. Mais que salvar o sistema trata-se de salvar a humanidade, a vida ameaçada e o planeta em estado caótico. O propósito é como garantir o bem viver em harmonia com os outros e com a natureza, produzindo conforme os seus ciclos, com
equidade social e com solidariedade generacional.
Fonte: Jornal O Povo
Última atualização: 05/06/2009 às 09:43:00
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