O IQD do Ipea apurado para março aponta a primeira mudança de tendência desde o início da crise
O Índice de Qualidade do Desenvolvimento de março (221,2 pontos) indica uma significativa desaceleração na tendência de queda na qualidade do desenvolvimento brasileiro.
Criado pelo Instituto de Pesquisa Economica Aplicada (Ipea) para avaliar se o crescimento econômico do País tem promovido melhor distribuição de renda e dos frutos do progresso, e se essa distribuição tende a sustentar-se no tempo, o IQD é um síntese de três outros índices:
- Índice de Qualidade do Crescimento, cujas variáveis são produção setorial, massa salarial, confiança dos empresários e meio ambiente;
- Índice de Qualidade da Inserção Externa (composição das exportações, do investimento estrangeiro,termos de troca, renda líquida enviada ao exterior e reservas internacionais);
- Índice de Qualidade do Bem-Estar (taxa de pobreza, mobilidade social, desigualdade de renda, desemprego eocupação formal).
Cada um dos índices varia entre 500 (ótimo para o desenvolvimento) e zero(péssimo para o desenvolvimento) e a média dessazonalizada dos três resulta no Índice de Qualidade do Desenvolvimento.
O resultado de março ainda mostra que os desempenhos ruins do último trimestre de 2008 ,conseqüentes da crise internacional, estão influenciando a trajetória recente do desenvolvimento do País. Fica claro, porém, que essa influência é cada vez menor e parece ter sido mais intensa no último trimestre do ano passado. Os números mostram que a queda na qualidade do desenvolvimento vem dimuindo desde o início do ano, permitindo extrapolar que o Brasil está perto de atingir o ponto de inflexão da crise.
Destaques do IQD de março
Observa-se que o Índice de Qualidade do Crescimento é o único que ainda mantém a tendência de piora. Em março, a qualidade do crescimento ficou em 200,2 pontos, em contrapartida aos 209,2 pontos de fevereiro. O número, no entanto, esconde o crescimento da produção de bens de consumo duráveis em 28,8%, de bens de capital em 14,3% e de bens intermediários de 16,0%. Esse movimento refletiu-se na expectativa dos empresários que melhoraram suas expectativas em 8,4% no mesmo período. O resultado ruim ficou com a folha real de salários na indústria que caiu 12,4% entre fevereiro e março. A variável ambiental manteve o resultado anterior devido à média dos 12 meses, fechada em março, indicar menor número médio de queimadas e haver redução da emissão de CO2 industrial.
O Índice de Qualidade da Inserção Externa se apresentou estável em março, atingindo semelhantes 175,7 pontos de fevereiro. Apesar da estabilidade referente ao mês anterior, ainda é o subíndice de pior resultado prejudicando a trajetória recente do desenvolvimento do país. A manutenção do índice ocorreu devido ao balanço entre o aumento em 1,9% nas reservas (após cinco meses de queda) e a redução de 1,3% na participação dos produtos manufaturados no total exportado pelo país. Já o investimento estrangeiro direto cresceu mais uma vez sua participação no total de investimento estrangeiro e os termos de troca ainda não iniciaram a reversão dos seus resultados negativos dos meses anteriores.
O Índice de Qualidade do Bem-Estar, por mais um mês consecutivo, continua sendo o único subíndice a apresentar boa qualidade. Com 305,6 pontos em março, manteve-se estável em relação a fevereiro devido a: aumento de 0,2% no percentual de trabalhadores formais; queda de 1,1% na desigualdade de renda, medida pelo índice de Gini; e aumento de 73,5 mil pessoas com rendimento superior a R$ 1.610,00. Em contrapartida, a taxa de desemprego cresceu 5,9% (passando de 8,5% para 9%).
Metodologia
O IQD (Índice de Qualidade do Desenvolvimento) é uma pesquisa mensal realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que capta se o desenvolvimento vivido pelo país contempla os requisitos de crescimento econômico com distribuição dos frutos do progresso e, também, aponta se este movimento tende a sustentar-se no tempo.
O IQD agrega dados de três subíndices: Índice de Qualidade do Crescimento (cujas variáveis são produção setorial, massa salarial, confiança dos empresários e meio ambiente); Índice de Qualidade da Inserção Externa (composição das exportações, investimento estrangeiro, termos de troca, renda líquida enviada ao exterior e reservas internacionais); Índice de Qualidade do Bem-Estar (taxa de pobreza, mobilidade social, desigualdade de renda, desemprego e ocupação formal).
Cada um dos índices varia entre zero (péssimo para o desenvolvimento) e 500 (ótimo para o desenvolvimento), e a média dessazonalizada dos três resulta no Índice de Qualidade do Desenvolvimento. Para ver o documento na íntegra, clique aqui.
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