Caríssimos (as) companheiros (as) do BNB,
Mais do que uma simples reunião de trabalhadores do Banco do Nordeste, o Congresso Nacional dos Funcionários do BNB carrega, em sua essência, a importância de definir estratégias e rumos para a campanha salarial 2009/2010. Novas formas de pressionar o patrão, novos jeitos de promover atos e manifestações, novas maneiras de empreender uma greve forte, novo empenho na condução das negociações – tudo isto está entre os desafios que se colocam aos trabalhadores.
Mas para que o Congresso alcance seus objetivos e, de fato, produza reflexos positivos na vida do corpo funcional do Banco do Nordeste – já cansado de tantas negativas e postergações – é preciso conduzi-lo com transparência, democracia e ética, garantindo a participação de todos os interessados, pertencentes ou não aos diversos segmentos políticos existentes no BNB. Isto, lamentavelmente, não aconteceu na sua integralidade, ou seja, em todas as bases sindicais. Uma delegação importante, tanto pelo contingente maior de pessoas quanto pela proximidade ao centro administrativo do Banco – o Ceará – foi prejudicada por um processo subjetivo e obscuro para a “escolha” de seus “delegados”.
Um congresso de trabalhadores, até que se concretize, passa por uma série de etapas, desde a definição do tema e do local, até a formação de uma comissão de organização e a divulgação dos critérios de escolha dos delegados – geralmente, por meios democráticos como assembléias ou outros que sejam de amplo conhecimento. Com base nesses critérios, os sindicatos, por sua vez, estão aptos a formar suas delegações. No caso do Banco do Nordeste, sindicatos de outros estados respeitaram o processo democrático de escolha dos delegados. Mas o Sindicato dos Bancários do Ceará, não.
No SEEB-CE, nenhum critério de escolha de delegados foi obedecido, embora se tenha conhecimento que seria por inscrição direta; pedidos formais, protocolados, de inscrição não foram acatados; a entidade sequer divulgou a lista dos “delegados”. Dessa forma, como saber de fato quem iria participar? É fato o encaminhamento de mais de 40 pedidos de inscrições protocolados naquele sindicato que nem mesmo tiveram retorno. Os dirigentes, quando questionados por um interessado, informaram que as inscrições enviadas em bloco por um diretor da AFBNB não tinham validade.
E como fazer valer, então, a participação dos colegas que se interessaram em participar e em contribuir no Congresso? Será que um pedido formal assinado de próprio punho tem menos importância do que outro que não se sabe qual foi sua forma de apresentação? Qual é a preocupação do Sindicato do CE ao não proceder de forma aberta como as demais entidades? Seria (á) a flagrante intenção de forjar maioria?
Além disso, registramos que em pleno processo de escolha dos delegados, a coordenação da Comissão Nacional dos Funcionários o BNB - centralizada no Sindicato do Ceará - mudou os critérios de definição da proporcionalidade de participação. Enquanto havia divulgado (Tribuna Bancária - Edição Nº 1063, de 16 a 21 de março de 2009) a proporcionalidade ser de um delegado para cada grupo de 50 funcionários ou fração superior a 25 na base sindical, mudou às vésperas do fechamento das inscrições para a mesma proporcionalidade considerando apenas os filiados aos respectivos sindicatos. Isto prejudicou algumas delegações, ocasionando na redução de bancadas, bem como inviabilizou qualquer possibilidade do envio de delegados do Norte do estado de Minas Gerais.
Tais práticas não podem ser aceitas pelos trabalhadores e devem ser abolidas dos seus fóruns. A forma desrespeitosa com a qual todo o processo foi conduzido não é condizente com a democracia que todos lutamos para construir. Por isso registramos nosso veemente protesto quanto a esses atos. Afinal, entidades de trabalhadores devem se pautar pela democracia, pela ética e pelo respeito; Não pelo loteamento de forças e pela negação de direitos, tampouco pela agressão aos valores democráticos. Por isso, conclamamos a todos os trabalhadores do BNB a refletirem sobre estes procedimentos, no firme propósito de construir novos caminhos na organização dos trabalhadores no Banco do Nordeste.
Dessa forma, conclamamos também a todos, principalmente às entidades e delegados que tenham essa mesma compreensão e que não comungam com as práticas aqui registradas, para referendarem esse entendimento. Neste sentido, a Diretoria da AFBNB, entidade representativa dos trabalhadores do Banco do Nordeste, além de trazer esses lamentáveis acontecimentos, pede licença aos seus associados para enviar Diretores, haja vista a entidade ser nata ao evento. A AFBNB entende que a participação faz-se necessária pelo dever de ofício da representatividade, pelo respeito aos seus representados e ao corpo funcional como um todo. O ideal seria não legitimar acontecimentos dessa natureza, pois ratificamos que um evento de trabalhadores, acima de tudo, deve ter a marca da democracia, da transparência e do pleno direito à participação, sem vetos e sem o “garroteamento” de consciências. Isso passa não somente por questões pontuais no evento, mas principalmente, pela sua preparação. E isso é fundamental para a democracia.
Maceió-AL, 24 e 25 de abril de 2009, XV “Congresso” Nacional dos Trabalhadores do BNB Associação dos Funcionários do BNB – AFBNB
Também referendam esse entendimento:
Sindicato dos Bancários do Rio Grande do Norte
Sindicato dos Bancários do Maranhão
Sindicato dos Bancários da Bahia
Sindicato dos Bancários de Sergipe
Bancários de Pernambuco associados à UCS – União Coletivo Sindical
* A AFBNB já se pronunciou outras vezes sobre o Congresso Nacional dos Funcionários:
- http://www.afbnb.com.br/noticias_detalhes.asp?Cod=5116
- http://www.afbnb.com.br/noticias_detalhes.asp?Cod=5102
- http://www.afbnb.com.br/noticias_detalhes.asp?Cod=5131
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