O consultor responsável pela formulação do plano de funções e revisão do Plano de Cargos do BNB, Luiz Antônio, conversou na tarde de ontem (6 de abril) com as entidades integrantes da Comissão Nacional dos Funcionários do BNB (CNFBNB) para “apresentar” em linhas gerais o plano e tirar algumas dúvidas. Célia Matos, gerente do ambiente de gestão de pessoas, informou que a proposta atual já está bem diferente – para melhor, segundo ela – do que a entregue às entidades em janeiro. A AFBNB não pode se pronunciar quanto a esta nova proposta uma vez que não recebeu – assim como as demais entidades - o documento. As entidades solicitaram cópia da nova proposta, que deve ser entregue hoje.
Luiz Antônio explicou que o primeiro PCR foi elaborado para atender a questões de legalidade, o que por si só gerou um impacto financeiro alto para o BNB. Naquele momento, segundo ele, era difícil o plano trazer melhorias salariais. Hoje a situação é outra e em sua opinião os planos de cargos devem ser constantemente revistos, tendo em vista o cenário atual. “Hoje existe demanda individual para encarreiramento. O instrumento de gestão deve respeitar isso, as individualidades”, explicou.
O consultor explicou que ambos os planos têm foco no desenvolvimento individual como condicionante para o crescimento do Banco e o encarreiramento estaria relacionado à função, não ao cargo. A AFBNB pensa diferente. Para a entidade, é o cargo que tem que refletir a valorização do trabalhador, não a função, que é um ato de gestão e não beneficia a todo o corpo funcional. A valorização do profissional, no entanto, em tese, foi defendida pelo Banco e pelas entidades. “Ou você valoriza o trabalhador ou você não cresce”, afirmou o consultor. Segundo ele, não importa o quantitativo de níveis no PCR, mas sim quanto a pessoa recebe. “O importante é que a pessoa receba remuneração justa, no cargo que ocupa. A tabela salarial deve ser feita de forma que atraia e mantenha pessoas talentosas no Banco”.
Isonomia – Os representantes dos funcionários questionaram o fato dos valores das funções da Direção Geral serem superiores aos da agência. Segundo Célia, se as funções forem equivalentes – em responsabilidade, complexidade e perfil do profissional que as desempenha – os valores serão os mesmos e que isto estaria garantido na nova proposta. O consultor esclareceu que existem 3 tipos de atividades no Banco – estratégicas, táticas e operacionais e que são hierarquicamente diferentes e portanto, com remuneração diferenciada, mas que em uma agência, por exemplo, podem existir os 3 tipos, assim como na Direção Geral.
GSN – A maioria das dúvidas enviadas à AFBNB acerca dos planos dizia respeito à extinção dos Gerentes de Suporte de Negócios, confirmada ontem. Segundo Célia, o caminho natural é que, à medida em que ocorram as mudanças na tipologia das agências, eles passem a gerentes de negócios. Enquanto isso, ficarão como assistentes de negócios, com carga horária reduzida para 6 horas e mesma remuneração que antes. Os atuais assistentes de negócios receberão, segundo ela, “nova roupagem”.
Pisos – O Banco informou que os pisos são reajustados normalmente, quando dos acordos coletivos. O diretor administrativo da AFBNB, Assis Araújo, criticou o fato de, quando do reajuste para a implementação do piso, no ano passado, o mesmo índice (de cerca de 10%) não ter incidido na curva salarial do Banco e o fato dessa situação não ser corrigida na revisão do PCR.
Transparência – A AFBNB, assim como as demais entidades, cobrou do Banco transparência nos processos de promoção, concorrências etc. Segundo o Ambiente de Gestão de Pessoas o Banco está licitando a construção de um portal na internet que congregará todas as informações relacionadas às concorrências e demais processos internos do Banco, como as pontuações individuais e os caminhos que o funcionário deve percorrer até chegar a determinada função. Apenas com o portal é que se pode garantir a tão cobrada transparência.
Trâmites – O plano de cargos deve ser acordado, votado e aprovado (ou não) nas assembléias por estado. Já o Plano de Funções deve ser negociado entre Banco e Ministério do Planejamento (leia-se Dest). Foi informado pelo Banco que o Dest já está ciente da existência e do montante que representará a implementação do Plano. Os trâmites para implantação, entretanto, sinalizada em reuniões anteriores pelo Banco de que seria 1 de julho, pela experiência do consultor Luiz Antônio devem durar até o final deste ano. Foi sinalizado, então que a data de 1 de julho ficaria como referencial para retroatividade.
Após fechado, o Plano de funções vai para parecer da área jurídica, de onde segue para a Diretoria do BNB, Conselho de Administração, Ministério da Fazenda e só então Ministério do Planejamento (Dest). De acordo com os representantes do Banco, o impacto dos dois planos juntos será de cerca de 10% na folha do BNB.
Avaliação – Para Antônio Galindo, do Sindicato da Bahia, o consultor se deteve apenas à explicação conceitual, ao arcabouço teórico que subsidiou a elaboração do Plano. “A parte prática – das tabelas, dos pisos – entretanto não foi apresentada”. O Banco se comprometeu a apresentar a nova proposta às entidades na reunião de negociação que ocorrerá hoje.
Para o diretor da AFBNB, Assis Araújo, na conversa de ontem ficou claro que o Banco valoriza mais o Plano de Funções que o Plano de Cargos, assim como as demandas individuais às coletivas. “Os planos passam a idéia de que o Banco é uma empresa como outra qualquer, desfocado do compromisso social. Eles são reflexos da visão de um banco comercial, contraditório à missão de um banco de desenvolvimento, que deve ter ação diferenciada e que não pode ter como meta apenas o lucro”, afirma.
A AFBNB aguarda o recebimento dessa nova proposta para voltar a se pronunciar.
Presenças - Pelas entidades: Assis Araújo (AFBNB), Antônio Galindo (Seeb-BA), Jairo França (Seeb-AL), Luzemir Almeida (Seeb-PI), Manoel Spinelli (Seeb-PE), Tomaz de Aquino, Carmen Araújo, Cláudio Rocha, Océlio Vasconcelos (Seeb-CE). Pelo Banco: Célia Matos e Bibiana Colares, do Ambiente de Gestão de Pessoas.
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