As ironias do destino... Os jornais cearenses estamparam, no dia 1º de abril, uma notícia que parecia mentira: a absolvição de Byron Queiroz e outros cinco ex-diretores do BNB acusados de um rombo de mais de R$ 7 bilhões feito aos cofres do Banco do Nordeste entre 1995 e 2002.
A decisão infelizmente leva a crer que a justiça não só tarda, como, às vezes, falha! Afinal, a Justiça é uma instituição fruto da vida social, criada pelo ser humano e, portanto, sem o dom divino da infalibilidade. Não foi apenas uma decisão em favor dos acusados, mas contra milhares de nordestinos, porque os prejuízos causados por esses senhores vão bem além dos muros do Banco; as fraudes afetaram o Nordeste, região ainda deprimida e desprestigiada historicamente, porque, afinal, o BNB é a única instituição financeira regional voltada para o desenvolvimento.
Sob aquela gestão, faltou pouco para o BNB ser esfacelado por completo. Basta dizer que em 2003, primeiro ano depois de Byron e à custa de muito trabalho, o Banco atingiu um lucro líquido de R$ 84 milhões. Em 2008, esse valor está no patamar de R$ 421 milhões. Os famosos “esqueletos” da era Byron só há pouco foram sepultados e alguns ainda assombram os trabalhadores do Banco, como as dívidas trabalhistas deixadas, os direitos que foram usurpados, as centenas de funcionários que lutam na Justiça e no Congresso pelo seu retorno após demissões causadas por perseguição política e as vidas que foram perdidas em decorrência das pressões, demissões arbitrárias e perdas salariais.
A Associação dos Funcionários do Banco do Nordeste do Brasil (AFBNB) ratifica seu protesto à decisão que, apesar de legal, não poderá ser considerada legítima por todos aqueles que conhecem de perto essa história. Para além dos valores materiais perdidos, lamentamos profundamente o exemplo de impunidade que fica. Mas não perdemos a esperança: já que ainda cabe recurso, esperamos que a justiça, mesmo que tardia, seja feita.
JOSÉ FROTA DE MEDEIROS - Presidente da Associação dos Funcionários do BNB (AFBNB) |