Cerca de 200 pessoas lotaram hoje o auditório Mário Covas, na Câmara Municipal de São José dos Campos, onde aconteceu um ato pela readmissão dos 4.270 demitidos da Embraer. O evento também marcou o lançamento de uma campanha nacional pela reestatização da Embraer. Ao final do encontro, ficou definida a realização de uma reunião nos próximos dias para a formação de um comitê que irá desencadear nacionalmente a campanha.
Organizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e pela CONLUTAS, o ato contou com a participação de trabalhadores da Embraer e reuniu dezenas de entidades do movimento sindical, popular e estudantil, Pastoral Operária de São Paulo, centrais sindicais (Conlutas, Intersindical, CTB e CGTB) e partidos políticos (PSTU e PSOL).
Também estavam presentes Gilmar Mauro, da coordenação nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra), o advogado Aderson Bussinger, que é conselheiro da OAB do Rio de Janeiro, e o vereador Tonhão Dutra, representando a bancada petista da Câmara.
Todos prestaram solidariedade aos trabalhadores da Embraer e declararam apoio à luta pela reversão das demissões e à campanha pela reestatização da empresa.
O secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Luiz Carlos Prates, o Mancha, abriu o ato destacando que este era mais um passo da escalada de mobilização liderada pelos trabalhadores.“A série de mobilizações feitas pelos trabalhadores da Embraer expressou a revolta dos demitidos e reacendeu o debate sobre a privatização da Embraer.
Está mais do que na hora de tomarmos de volta o que é nosso. A Embraer precisa voltar para o povo brasileiro”, disse. Na sequência, todos os discursos destacaram a importância da Embraer para a soberania nacional, sua produção e tecnologias estratégicas para o país, e criticaram a postura da empresa, que fez uma demissão em massa sem ter discutido alternativas com o Sindicato.
Foi lembrado que a Embraer foi privatizada por um valor irrisório (R$ 154 milhões) e, nos últimos 12 anos, já recebeu mais de R$ 19 bilhões em financiamentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Ou seja, a empresa continua dependendo do dinheiro público e, portanto, deveria voltar a ser estatal. Foi destacado ainda que hoje a empresa está, em sua maioria, sob o controle de investidores estrangeiros.
Ao final dos discursos, os presentes agitaram bandeiras e gritaram palavras de ordem: “Essa unidade é pra lutar e a Embraer reestatizar!”.Segundo José Maria de Almeida, da coordenação nacional da CONLUTAS, o ato foi uma demonstração da unidade que começou a ser construída na luta em defesa do emprego e do patrimônio e da soberania nacional. “O momento agora é de unir forças para ampliar esta campanha para todo o país e para exigir que o governo Lula implemente esta medida”, disse José Maria.
Para Júlio César da Silva, 39 anos, que trabalhou 20 anos na Embraer e foi um dos demitidos, o ato foi importante porque colocou em discussão a grande capacidade tecnológica da empresa, que hoje é utilizada em benefício de estrangeiros.
“Claro que minha principal luta é pela minha reintegração. Afinal, restando apenas 8 anos para me aposentar, eu dificilmente vou conseguir uma recolocação no mercado, neste período de crise. Mas também apóio a idéia da reestatização”, disse o demitido.
Além da reunião para criação do Comitê que encaminhará a campanha, a próxima atividade chamada pelas entidades é o Dia Nacional de Luta no dia 1º de abril, que terá mobilizações em todo o país. |