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Notícias

  20/01/2005 

Banco que faz exigência pode pagar multa de R$ 3 milhões

Instituições oficiais são acusadas de fazer venda casada de produtos. Uma multa de mais de R$ 3 milhões poderá ser paga pelos bancos oficiais que estão obrigando pequenos agricultores a adquirir seguros de vida, títulos de capitalização e até cartões de crédito internacionais em troca da liberação de empréstimos do Programa Especial de Fortalecimento da Reforma Agrária (Pronaf).

A cobrança de reciprocidade foi tema de reportagem do Jornal do Brasil e da Gazeta Mercantil. A prática, também chamada de venda casada, é ilegal, afirmou o gerente de Atendimento do Procon, Osvaldo Moraes, como noticiou a
Radiobrás, agência oficial do Planalto. De acordo com Moraes, a proibição está no Código de Defesa do Consumidor, com previsão de multa de R$ 212 a R$ 3.192 milhões.

"Varia de acordo com o grau da infração, do capital social da empresa e do número de reincidências", explicou Moraes. Ele aconselha o produtor que for obrigado a fazer esse tipo de negócio a denunciar o fato ao Procon. "A partir daí, tomaremos as medidas cabíveis", disse.

A venda irregular de serviços bancários aos pequenos produtores foi detectada neste mês pela Controladoria-Geral da União (CGU) em várias
cidades brasileiras. Em pelo menos 20 dos 60 municípios fiscalizados foram detectadas irregularidades nos empréstimos aos agricultores.

De acordo com o secretário de Agricultura Familiar adjunto, Adoniram
Sanchez, o Ministério do Desenvolvimento Agrário já tomou algumas atitudes para inibir essa ação dos bancos. "Acionamos o Ministério Público e delegados nos estados, caso haja uma acusação de reciprocidade bancária", revelou. Segundo Sanchez, a situação não é nova. "É muito comum. Quem trabalha com crédito rural ouve muitas reclamações dos agricultores pelo 0800 787000 ou por e-mail", ressaltou.

O Banco Central também prometeu tomar providências. Segundo a assessoria de imprensa do banco, a instituição pode esperar denúncias formais ou agir por conta própria. No entanto, de acordo com os assessores, a denúncia é recente e, por isso, ainda não é possível informar quais as medidas serão tomadas.

Dentre os órgão fiscalizados pela CGU estão o Banco do Brasil e o Banco do Nordeste. A assessoria de imprensa de ambos garante que não faz parte da política das empresas a exigência de contrapartidas para concessão de empréstimos do Pronaf. O superintendente de Microfinanças e Projetos Especiais do Banco do Nordeste, Stélio Gama Júnior, disse que o procedimento é "inadimissível". Ele informou que o banco vai apurar todas as denúncias, mas observou que os gerentes de bancos "muitas vezes procuram os métodos mais fáceis para vender produtos bancários".

O Pronaf beneficiou, de 2003 a 2004, 1,3 milhões de famílias. No total, o atual governo financiou R$ 4,49 bilhões. No período de 2004 a 2005, a meta é liberar R$ 7 bilhões, o que favoreceria mais de 2 milhões de famílias.

Fonte: Gazeta Mercantil, pág. A8, edição de 18/1/2005.

Última atualização: 20/01/2005 às 10:12:00
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