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Notícias

  29/12/2008 

Desenvolvimento - A nova face do Nordeste brasileiro

A região Nordeste do País carregou, por décadas, a alcunha de ser um peso para economia nacional. Com os investimentos realizados nos últimos anos, um novo modelo de gestão e o incremento de obras estruturantes, previstas para serem entregues até 2014, os nove estados que compõem a região, hoje, projetam um novo status para sua função no desenvolvimento do Brasil. Há alguns anos, o questionamento comum era o que o País poderia fazer para ajudar o Nordeste. Hoje, a pergunta muda e passa a ser: o que o Nordeste pode fazer pelo Brasil?

Muitos dos equipamentos estratégicos para o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), projetados pelo Governo Federal, serão construídos em território nordestino. Para citar alguns deles, ampliações e remodelagem de portos, como o do Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco, ambos que devem abrigar refinarias da Petrobras. Estão previstos ainda outros empreendimentos de refino de petróleo, localizados no Rio Grande do Norte e Maranhão, extração de fosfato, urânio bruto e produção de aço em terras cearenses e baianas, energia eólica no estado potiguar e também no Ceará, além de gasoduto na Paraíba e fruticultura no Piauí. Todos são projetos importantes para o Brasil e que trarão para o Nordeste aporte financeiro, emprego e um nível de desenvolvimento nunca antes visto.

O presidente da Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece), Antônio Balhmann, é confiante. “Os projetos garantirão maior participação e integração das economias locais com a nacional”, aposta.

A economia da região Nordeste ainda deve crescer acima do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2009, repetindo o resultado deste ano, de acordo com estudo desenvolvido pela Datamétrica Consultoria. Em 2009, em função do aprofundamento da crise financeira externa, a economia brasileira deve crescer menos, em torno de 3,55%, mas ainda assim a economia nordestina crescerá acima da média nacional, chegando a uma taxa de 3,81%, segundo dados da Consultoria.

No Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), os últimos dados oficiais do PIB regional datam de 2005 e indicam que o Nordeste cresceu acima do PIB nacional em 2004 e 2005. O total de US$93,6 bilhões (2004), representou crescimento de 14,2% e é maior que o de países como o Chile e Argentina, por exemplo. No Nordeste, o ranking dos estados, de acordo com o PIB, é formado, respectivamente, por Bahia, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Piauí.

Contribuição
O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Machado, acredita que, nos próximos anos, a contribuição do Nordeste para o País deve crescer profundamente. “A região cresce, assim como as demais, no entanto, com a liberação de financiamentos de até 40% para exportações e as estruturas para o comércio externo, o Nordeste deve ficar em grande evidência nacional”, afirmou. Com uma área territorial de 1,5 milhão de quilômetros quadrados, o que representa o tamanho da França, Itália, Reino Unido e Alemanha juntos, uma população de 51 milhões de habitantes, (2005), cerca de 30% da população do País, o Nordeste brasileiro projeta-se como a terra das oportunidades para quem deseja investir e crescer.

Na região, que abriga condições climáticas extremamente favoráveis e localização estratégica, além das obras estruturantes, setores da economia, como agronegócios, fruticultura, turismo, confecção, indústrias de transformação, entre outros, apresentam-se como potencialidades para bons negócios. Para 2009, a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) destinou R$7,5 bilhões para a região. A verba será administrada pelo Banco Nacional do Nordeste (BNB).

Segundo o presidente da entidade, Roberto Smith, está mais do que na hora de se olhar com outra visão para o Nordeste. “A verba destinada ainda é pequena frente à quantidade de projetos importantes. O Nordeste precisa de mais para pôr em prática seu desenvolvimento, que é notório e inevitável”, aposta Smith.
 
A região e seu potencial portuário

Com ampliações dos portos do Nordeste, a região deve tornar-se um dos principais centros de escoamento da produção nacional. Entre os produtos que devem passar pelas esteiras dos complexos, frutas e derivados do petróleo serão os carros-chefe

Aos poucos, os estados nordestinos vão ganhando cada vez mais importância no escoamento da produção nacional para o mundo. Para superar dificuldades, como a longa distância em relação aos grandes pólos econômicos do País, que se concentram no sul e sudeste, os portos do Nordeste apostam em sua localização equatorial privilegiada, que traz proximidade com destinos europeus e asiáticos, e devem adotar novas linhas de cabotagem - navegação entre dois terminais portuários - o que vai atrair maior volume de cargas. Os complexos portuários foram contemplados com planos de investimentos, públicos e privados. Os recursos aplicados em infra-estrutura nos portos de Suape, em Pernambuco, Pecém, no Ceará, Itaquí, no Maranhão, e Barra dos Coqueiros, em Sergipe, devem garantir um novo cenário, colocando o Nordeste, segundo especialistas, como a principal porta de saída da produção nacional.

Dos melhores
O complexo de Suape, em Pernambuco, hoje é considerado o melhor porto público do Brasil. Até 2010, os 23 projetos em curso no porto absorverão US$6,2 bilhões e, inevitavelmente, atrairão novas empresas, sejam fornecedoras ou clientes.

A refinaria será responsável por gerar cerca de 10 mil empregos. “Só o valor da refinaria já é expressivo e ainda temos projetos que devem ser entregues a partir de 2010 e que vão gerar ainda mais desenvolvimento”, revela o governador do Estado, Eduardo Campos. Suape conta com um Porto Externo, Porto Interno, Terminais de Granéis Líquidos, Cais de Múltiplos Usos, além de um Terminal de Contêineres.

Já para o Porto do Pecém, no Ceará, o projeto também é audacioso. “É uma revolução completa em toda a infra-estrutura”, disse o presidente da agência de desenvolvimento do Ceará, Antônio Balhmann, lembrando que, atualmente, além de exportar minério e importar carvão, o porto cearense ocupa a posição de maior exportador de frutas no Brasil. O diretor de operações do Porto, Humberto Castelo Branco, informou que foram investidos cerca de R$360 milhões em obras de infra-estrutura e construção do novo terminal de múltiplo. “Não tenho dúvidas de que o Nordeste será o novo portal de saída da produção nacional para o mundo”, aposta Castelo Branco. Somados à implantação da refinaria e siderúrgica, os investimentos no Pecém ultrapassam os US$11 bilhões.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) garante que o escoamento da safra 2009 de soja, provenientes das regiões Centro-Oeste e Norte, será feito pelo porto maranhense de Itaquí, que terá sua capacidade ampliada para embarcar até seis milhões de toneladas de grãos. Com a saída feita por Itaquí, que até ano passado era prioritariamente realizada pelo porto de Santos, os produtores devem dobrar o faturamento, eliminando o difícil transporte terrestre. Os investimentos em Itaquí, segundo o diretor de Departamento de Infra-estrutura e Logística do Agronegócio do Mapa, Biramar Nunes de Lima, serão repartidos em R$180 milhões aportados pelo setor público e outros R$180 milhões pela iniciativa privada.

O porto do Sergipe, localizado em Barra de Coqueiros, desde 1994 é operado pela mineradora Vale do Rio Doce. Possui capacidade de armazenagem de 55 mil toneladas, distribuídas em nove armazéns e dois cilos de cimento, com altura de 63 metros e capacidade de 17.500 toneladas, cada um. O porto opera cargas gerais como madeira, coque, uréia, trigo, fertilizantes e sucos naturais. Os investimentos também envolvem uma refinaria e atualização tecnológica, que devem duplicar a capacidade do porto. “A idéia é aumentar a capacidade de carga e descarga e transformá-lo em um porto de cargas gerais. Temos um projeto de implantar uma ZPE (Zona de Processamento de Exportações), com empresas da cadeia produtiva de gás e petróleo, e ainda construir uma refinaria para a exportação de combustíveis”, disse o governador sergipano, Marcelo Déda.
 
Nordeste: estratégico para indístria de petróleo

Fontes do ouro negro, recém-descobertas pela Petrobras, podem elevar o Brasil ao patamar de exportador. O Nordeste terá grande participação neste processo, com a implantação de refinarias e ampliações de portos

A descoberta de jazidas de petróleo, em águas profundas, realizadas pela Petrobras - os chamados poços pré-sal - aliada à já forte produção diária da estatal, fez com que a petrolífera ativasse o processo de construção de grandes obras para o refino e escoamento do produto e, com isso, investimentos valorosos no Nordeste brasileiro. Boa parte dos estados nordestinos, entre eles Ceará, Rio Grande do Norte, Maranhão, Pernambuco e Bahia foram contemplados com a implantação de refinarias da estatal, que trazem, a reboque, diversos benefícios para a população, movimentando as economias estaduais e fazendo da região um pólo importante para os anseios da companhia. “A região é excelente para escoar a produção de derivados do petróleo. O Nordeste está localizado no ponto mais próximo entre o Brasil e continentes como Europa e África”, lembra o presidente da Agência de Desenvolvimento do Ceará, Antônio Balhmann.

Os projetos que, ao todo somam bilhões de dólares, estão confirmados pelos governos. Entre as refinarias anunciadas, duas são consideradas “Premium”, uma no Ceará, outra no Maranhão, e ambas têm capacidade de produzir maior volume em escala. “Damos a garantia de que será construída a refinaria no Ceará, conforme estabelecido pela Petrobras”, afirma o governador cearense, Cid Gomes.

O mesmo diz a governadora do Rio Grande do Norte, Wilma de Faria, que também terá sua refinaria. Ela adianta que o projeto deve transformar a vida da população. “É de fundamental importância para nós. Esta obra vai impactar de forma direta na economia local”. As refinarias construídas no Nordeste, segundo os governadores da região, serão de fundamental importância para o projeto de elevar o Brasil ao posto de um dos maiores produtores mundiais e atingir o patamar de exportador.

A refinaria do Maranhão deve ser a maior do País, com capacidade de produzir 500 mil barris por dia e derivados voltados para exportação. É um projeto de US$20 bilhões, segundo a Petrobras. Já no Ceará, o valor estimado é de US$11,1 bilhões, incluídas obras necessárias para ampliação do porto de Pecém. O diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, confirma que as refinarias serão estratégicas para os projetos futuros da empresa petrolífera. “Maranhão e Ceará vão ser para exportação. Vamos tornar o Brasil auto-suficiente já com a entrada das outras duas refinarias (uma delas a de Pernambuco)”, disse. A refinaria maranhense terá capacidade de produzir 300 mil barris por dia, já a cearense 150 mil. O processamento fará do Brasil exportador de óleo diesel, segundo Costa.

Complexo
No Rio Grande Norte, a Petrobras decidiu implantar sua 12ª refinaria. O local terá uma nova planta para a produção de gasolina e de melhoria da qualidade dos demais derivados, como QAV (querosene de aviação), diesel e GLP (gás liquefeito de petróleo). A nova unidade, que demandará investimentos de cerca de US$ 66 milhões, entrará em produção no ano de 2010. O complexo será instalado no município de Guamaré.

Outro estado que entra na rota do petróleo é Sergipe, que tinha cerca de 27,9 milhões de barris em reservas, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Com as últimas descobertas de poços profundos, passa a ter mais 76 milhões de barris, conforme um comunicado divulgado pela Petrobras. No entanto, o Estado deve receber a primeira refinaria, não estatal, construída no País nos últimos 50 anos. O equipamento terá capacidade para processar 200 mil barris por dia de petróleo, com inauguração prevista para 2013.

O projeto já foi aprovado pela ANP e deve ser elaborado pela Refinaria Atlântico Sul de Sergipe SA. De acordo com o secretário do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia de Sergipe, Jorge Santana, a refinaria será instalada em uma área de 300 hectares, em Barra dos Coqueiros, município vizinho a Aracaju e próximo do porto de Sergipe. “O projeto está orçado em US$3 bilhões”, declarou. Somando todos os investimentos na área de petróleo e gás, o Nordeste assume um papel significante na proposta brasileira de se tornar um dos gigantes do mundo em produção e exportação do produto, como declara o governador do Ceará, Cid Gomes.

“As obras vão transformar o Nordeste. Tenho convicção de que a Região vai crescer como nunca antes visto”, avalia.

Fonte: Jornal O Povo
Última atualização: 29/12/2008 às 12:42:00
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