O impacto da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) na região Amazônica é uma das preocupações de políticos, representantes de movimentos sociais e economistas que participam do Fórum Social Pan-Amazônico. "Nós tememos que a Alca seja apenas mais um pretexto para a chamada ‘internacionalização da Amazônia’ que é o grande objetivo estratégico dos americanos há séculos", afirma o deputado Eron Bezerra (PCdoB/AM).
O assunto será discutido no fórum que começa hoje em Manaus (AM). De acordo com o deputado, o objetivo desse debate é compreender e aprofundar as discussões sobre o tema. Bezerra explica que é contra o modelo de integração nacional da Alca, porque ele provoca uma dependência maior da economia nacional em relação à economia americana. "A Alca não traz só malefícios de ordem econômica. Tem implicações profundas do ponto de vista militar, socioambiental e de dominação da região Amazônica. Todo e qualquer produto nosso que tenha competitividade no mercado americano recebe taxação."
A Área de Livre Comércio das Américas prevê a isenção de tarifas alfandegárias para itens de comércio entre os países associados – todos os países das três Américas, exceto Cuba. Pelo menos 85% dos produtos e serviços transacionados na região deverão estar isentos de impostos e outras barreiras para que seja configurada a área de livre comércio.
Eron Bezerra ressalta que é preciso aprofundar os intercâmbios comerciais, mas lembra que a Alca, no modelo em que está sendo implantada, traz graves problemas econômicos e políticos para a região Amazônica. Segundo ele, o problema da proposta da Alca é que apenas os Estados Unidos se beneficiam. "Não se pode tratar desiguais como iguais. A Alca nunca se propôs a fazer algo parecido com o Mercado Comum Europeu, por exemplo, onde países menos desenvolvidos são ajudados pelos demais países para buscar certo equilíbrio na economia. Na Alca, os americanos exigem, por exemplo, a abertura do nosso mercado para colocar os produtos deles e sobretaxa os nossos."
Segundo o parlamentar, hoje, nenhum economista sensato defende a Alca da forma como está sendo proposta. "Acaba de ser publicado um estudo do Ipea – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – que mostra o quanto o Brasil perde e ganha nesse acordo. O resultado é que o Brasil só perde e perde muito."
O deputado critica a forma como essa questão é tratada no país e lembra que apenas os movimentos sociais discutem permanentemente a questão. "É preciso que a população brasileira entenda a importância de a Amazônia ser soberana. Não podemos permitir a presença de qualquer gerência estrangeira na região, e isso não é xenofobismo. Não podemos abrir mão da relação de respeito e independência", conclui.
Fonte: Agência Brasil |