Crescimento de uns em troca do desaparecimento de outros?
Faz pouco mais de um ano que a imprensa nacional colocou em pauta o interesse do Banco do Brasil em “ocupar a lacuna” de banco público no Nordeste. Naquela ocasião, o presidente do Banco do Brasil afirmou que não havia banco público no Nordeste e que a atuação do BNB era limitada pela rede de agências e pela “capacidade restrita de alavancagem de fundos”.
À época, a AFBNB demonstrou toda sua preocupação e fez contrapontos quanto ao interesse político e econômico vigente, que tendia a fortalecer o BB em troca do enfraquecimento e quem sabe até desaparecimento do Banco do Nordeste, o que representava a briga entre mercado e investimento no desenvolvimento regional.
Passados mais de 14 meses daquela discussão, movido pela fusão dos bancos Itaú e Unibanco e pelo objetivo de reconquistar a hegemonia no mercado nacional, o Banco do Brasil mais uma vez traz a tona a necessidade de incorporar outros bancos. Para a AFBNB isso significa que os bancos regionais estarão sob forte pressão, o que exige de toda a sociedade nordestina mobilização contra possíveis investidas a essas instituições.
A questão não é estar contra o Banco do Brasil, instituição financeira séria e de grande credibilidade. A questão é estar a favor do Nordeste, defendendo interesses que vão além da competição por mercado e por lucro, o que passa pelo fortalecimento das instituições que têm como missão o desenvolvimento regional.
Banco do Nordeste e Banco do Brasil têm em comum o fato de serem bancos públicos. A missão de cada um, entretanto, é diferenciada, assim como deve ser diferenciada a metodologia para aferição dos resultados alcançados através de suas ações. Os objetivos dos bancos de desenvolvimento não estão necessariamente alinhados às demandas de mercado. Seu caráter é diferente. A meta é o desenvolvimento e a superação das desigualdades sociais, conceitos praticamente desconhecidos das empresas que buscam o lucro acima de tudo.
Para que boatos como esse, da incorporação dos bancos regionais pelo BB, não se concretizem, é preciso a intervenção de todos: sociedade, entidades de classe e do próprio Banco. O BNB tem mais de meio século de experiências bem sucedidas na região e não pode ficar à mercê dos interesses do capital e/ou políticos.
A AFBNB está vigilante a esse assunto e entende que intensificando suas ações institucionais contribui conseqüentemente para o fortalecimento do Banco do Nordeste. As bandeiras que a Associação tem defendido nesse sentido são de aumento do capital social do BNB e expansão de sua rede de agências para dar mais capilaridade e condições de atendimento à sociedade; mobilização com parlamentares por alterações na PEC da reforma tributária, com o objetivo de garantir a manutenção dos fundos constitucionais, a destinação de 50% dos recursos da região para o semi-árido e a operacionalização dos recursos pelo BNB; e a constante luta pela valorização dos trabalhadores do Banco do Nordeste. |