Intensificar o movimento grevista em todos os locais de trabalho e em todo o país até que os patrões apresentem uma proposta decente à categoria. Esta é a orientação do Comando Nacional dos Bancários, após sair de uma extenuante rodada de negociação nesta segunda-feira (20) sem nenhuma proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Uma nova reunião ficou marcada para as 18h desta terça-feira, 21.
A enrolação dos patrões demonstra um total desrespeito à categoria, que luta dignamente por melhores condições de trabalho e salário. Por isso, a resposta não poderia ser outra: fortalecer a greve nacional, que chega hoje ao seu 14º dia.
Retomada no BNB
Após 24 dias desde a última negociação da pauta específica do funcionalismo (que aconteceu em 26 de setembro), a Superintendência de Desenvolvimento Humano do BNB marcou nova rodada para esta quarta-feira, dia 22/10, às 15h, em Fortaleza.
A retomada das negociações no BNB é fruto da pressão dos funcionários, através da ampliação do movimento paredista, o que referenda a atuação das entidades representativas. A cada dia registramos mais adesões no quadro de greve do Banco do Nordeste – um movimento que já é vitorioso e ficará na história.
É importante registrar que, diante do silêncio do Banco (a negociação do dia 9 de outubro foi desmarcada sem a indicação de uma nova data), a AFBNB, enquanto entidade integrante da Comissão Nacional dos Funcionários do BNB, solicitou ontem ao presidente e à superintendente de Desenvolvimento Humana a retomada imediata das negociações específicas.
Na carta, a entidade destacou o retorno das discussões no âmbito dos demais bancos públicos, que apresentam especificidades que precisam ser discutidas para além das questões colocadas na mesa da Fenaban. Documento semelhante foi enviado à coordenação da Comissão Nacional dos Funcionários do BNB (CNFBNB) e às direções dos sindicatos de bancários, com a sugestão de encaminhamento ao Banco do Nordeste. Diante da confirmação da negociação, a AFBNB entende que a iniciativa foi válida.
A atuação da AFBNB
A atuação da AFBNB, enquanto entidade de caráter nacional, dá-se em parceria com diversas entidades, sendo que no tocante às questões trabalhistas essa relação se materializa por meio do contato com os sindicatos. Neste caso, vale lembrar que o papel de mobilizar a categoria, através da discussão direta e do chamamento à greve, é de responsabilidade principal dos sindicatos, cabendo à AFBNB o papel de agregadora ao movimento.
Nesse sentido, a AFBNB tem intervido permanentemente de forma decisiva na campanha salarial, seja pela ação direta de seus diretores, seja por meio da divulgação de diversas matérias, informes e notas, buscado mobilizar e informar o funcionalismo. Ao mesmo tempo, a entidade vem denunciando práticas de assédio moral, a partir das várias denúncias que chegam à Associação: “gestores” que insinuam que "quem faz greve não é de confiança para exercer função comissionada no BNB" e “não vai crescer no Banco”; ameaça de retirada da comissão, não efetivação dos que estão substituindo, pressão junto ao pessoal em estágio probatório...
A AFBNB denuncia e o Banco, nega. O assunto será levado novamente à mesa de negociação, quando o Banco terá uma ótima oportunidade para provar que não concorda com nenhum tipo de retaliação aos funcionários grevistas, assumindo o compromisso de que nenhuma das ameaças se concretize.
As bandeiras de luta
Além do reajuste salarial com ganho real para a categoria, os funcionários querem a negociação das perdas passadas do BNB, cuja defasagem hoje é de 59,21%, considerando a inflação de 1994 a 2007 (fonte: Depto. Socioeconômico do SEEB-BA). Isto sem esquecer da distribuição integral e linear da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
A revisão do Plano de Cargos e Remuneração (PCR), que deve contemplar a elevação do piso inicial no BNB, e a implantação do novo Plano de Funções em Comissão (PFC) - após conhecimento e discussão com a base (sendo contemplada a isonomia entre os valores da mesma função exercida na Direção Geral e nas agências) são grandes bandeiras de luta desta campanha salarial.
A isonomia de benefícios e direitos entre todos os funcionários do Banco do Nordeste é outra grande demanda, assim como o retorno da licença-prêmio. Os funcionários defendem, ainda, a transparência nos processos de concorrência, comissionamento e transferência no Banco; o fim do assédio moral e da extrapolação da jornada de trabalho; e a quitação do passivo trabalhista.
Conquistas não vêm de graça!
A AFBNB parabeniza a disposição de luta de todos os funcionários que estão na luta, que têm fortalecido o movimento a cada dia; aos seus representantes, que vêm mostrando a sua capacidade de agregar, mobilizar e discutir as grandes questões relacionadas à campanha salarial; aos gestores que têm agido de forma tranqüila frente ao movimento, sem posturas retrógradas nem enfrentamentos desnecessários, reconhecendo na greve um instrumento legítimo dos trabalhadores.
A greve deve continuar – e avançar – até que o BNB apresente uma proposta digna para seus funcionários, que devem ser valorizados e reconhecidos enquanto trabalhadores de um banco de desenvolvimento, enquanto pais e mães de família, enquanto seres humanos! A luta é justa e deve, sim, continuar. Afinal, as conquistas não vêm de graça. |