A greve é um direito do trabalhador garantido pela Constituição Federal, em seu artigo 9º, e consagrado pela Lei 7.783 de 1989, a chamada Lei de Greve. A norma prevê, no artigo 6º do inciso II, parágrafo 2º que "é vedado às empresas adotar meios para constranger o empregado ao comparecimento ao trabalho, bem como capazes de frustrar a divulgação do movimento". No entanto, a cada greve nos deparamos com medidas inadmissíveis, que vão na contramão da democracia, numa flagrante tentativa de desmobilizar o movimento e dividir a categoria. São atos de desespero dos patrões, que sentem no bolso o peso de sua própria intransigência.
Casos de assédio moral são freqüentes neste período. No Banco do Nordeste, assim como em outros bancos, funcionários grevistas têm recebido ligações intimidadoras – em maior ou menor grau, numa forma de coação para a volta ao trabalho. Outra tática é a contra-informação, com a divulgação de que negociações que estariam agendadas e, portanto, as pessoas estariam “propensas” ao fim do movimento paredista. Uma clara tentativa de desmobilizar a categoria.
Há gestor que anda alardeando que "quem faz greve não é de confiança para exercer função comissionada no BNB" e “não vai crescer no Banco”. Outros são bastante explícitos e ameaçam os subordinados com a retirada da comissão. Aos funcionários que estão substituindo e esperam ser nomeados, ameaçam com a não efetivação. A pressão não poupa ainda os adidos nem o pessoal em estágio probatório. Fala-se também em corte de ponto e redução de verbas salariais.
Muitos atos praticados soam como atitudes terroristas; as faltas decorrentes da greve, por exemplo, ainda serão negociadas. A AFBNB, inclusive, não concorda com o desconto e vai lutar para que as faltas sejam abonadas.
O outro lado da moeda
Por outro lado, há gestores que têm demonstrado estar do lado da categoria. Estão do mesmo lado dos colegas, apesar de não estarem lado a lado nos piquetes. São pessoas que se comportam de forma tranqüila, demonstrando que compreendem o processo. Abertos ao diálogo, alguns chegam a manifestar que, se pudessem, estariam na porta da agência, reivindicando as melhorias necessárias e urgentes para todo o grupo. São gestores que se reconhecem como trabalhadores e que têm a consciência de que a melhor política de recursos humanos é aquela que valoriza o funcionalismo.
Oportunidade de mudanças
São várias as denúncias que chegam à AFBNB no período de greve. As questões são levadas sistematicamente ao conhecimento do Banco, embora a Instituição alegue que não direciona tais posturas e que os casos relatados – apesar de inúmeros – são isolados.
A greve, ao que tudo indica, seguirá forte, até que sejam apresentadas propostas que correspondam aos anseios do funcionalismo. Ao BNB, cabe o reforço, junto ao governo federal, de que os benebeanos não aceitarão um acordo rebaixado e que, enquanto agentes de desenvolvimento da região Nordeste, merecem o devido reconhecimento e respeito.
Nos próximos dias, o Banco terá uma ótima oportunidade para provar que não concorda com nenhum tipo de retaliação aos funcionários grevistas. É só evitar que as ameaças se concretizem. É só proibir o corte do ponto até o fechamento das negociações, diante da perspectiva de que as faltas sejam abonadas. Afinal, as entidades representativas do funcionalismo estão completamente abertas ao diálogo, devidamente respaldadas pela força dos trabalhadores do Banco do Nordeste. |