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Notícias

  03/01/2005 

Dez obras no Nordeste podem sair através das Parcerias Público Privadas (PPPs)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou no último dia 30/12, a lei que regulamenta a contratação das Parcerias Público Privadas (PPPs) na Administração Federal. Apresentadas em novembro de 2003 pelo Executivo, como a alternativa do Governo Lula para garantir o ingresso de investimentos privados em áreas de infra-estrutura, as PPPs poderão ser contratadas já partir de 2005, tão logo o Governo Federal inicie os processos de concorrência. No total, o Ministério do Planejamento já listou 23 obras que podem ser realizadas sob os moldes das PPPs; obras que já foram aprovadas pelo Congresso Nacional no Plano Plurianual (PPA) 2004-2007.

O Nordeste conta com dez obras, de custo estimado em R$ 4,73 bilhões, a serem realizadas em parcerias da União com a iniciativa privada. As ações listadas pelo Executivo para serem realizadas na Região mediante PPPs tratam de rodovias, ferrovias, portos e projetos de irrigação. As obras serão realizadas em oito, dos nove estados nordestinos nesta primeira fase de PPPs, segundo o levantamento do Executivo. Apenas o Piauí não conta com previsão de parcerias.

As PPPs consistem num contrato firmado entre uma empresa e a União, pelo qual a iniciativa privada se compromete a realizar obras de modernização e depois disso tem o direito de concessão da obra concluída pelo prazo máximo de 30 anos. O laço formal entre as empresas e a União é de, no mínimo, cinco, e no máximo 35 anos. A nova lei traz apenas as regras gerais para a contratação das PPPs, uma vez que os detalhes dos contratos deverão obedecer à lei de licitações. O valor mínimo para os contratos é de R$ 20 milhões.

Em função dos longos prazos de execução das PPPs, Lula avaliou que elas constituem não um projeto de Governo, mas um plano de Estado pelo desenvolvimento do país. “Esse projeto pensa o Brasil para mais que uma simples eleição, até porque possivelmente não conseguiremos fazer grandes acordos até 2006. Mas, independentemente de quem seja o governo, daqui a oito ou nove anos, ele terá um instrumento sólido que, à medida que governo e empresários cumpram com as obrigações, nós estaremos fazendo o que melhor já foi feito no nosso país", disse.

Depois dos 30 anos do contrato inicial, a obra realizada – e explorada – pela PPP retorna ao controle do Estado, que pode, se julgar necessário ou positivo para o país, fechar um novo contrato. Estados e municípios também podem contratar PPPs, desde que aprovem a regulamentação no Legislativo local. A iniciativa privada deverá garantir, pelo menos, 30% dos custos das obras das PPPs, ficando o restante a cargo dos governos. Se o contrato fechado for com Fundos de Previdência Complementar (Fundos de Pensão) o limite de envolvimento nos custos das obras cai para 20%.

No entanto, para conseguir recursos para viabilizar as PPPs, a União, os estados e municípios não poderão comprometer mais de 1% de suas receitas líquidas correntes. Essa foi a maneira encontrada para evitar que o nível de endividamento do setor público ultrapasse os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal no futuro. “Ela tem normas adequadas de repartição dos gastos entre o Governo e a iniciativa privada e conta com limites claros de endividamento. O projeto é positivo, pois garante investimentos e um desenvolvimento sustentável”, destacou o ministro do Planejamento, Nelson Machado.

Os contratos não precisarão passar por análise prévia do Governo Federal para serem aprovados, mas sempre que houver rolagem da dívida do Estado, será preciso fazer uma reavaliação do contrato firmado para ver se alguma alteração precisa ser implementada. Para dar mais segurança aos investidores, o Governo incluiu na lei a figura do Fundo Garantidor. O instrumento funciona como um “seguro contra calote”.

Confira abaixo a lista de PPPs previstas pelo Governo Federal para o Nordeste:


Projeto

UF

Extensão

Custo Total

Previsão de participação do Poder Público

Rodovias

 

Duplicação do trecho Rodoviário na BR 101 entre Natal (RN) e a divisa de Alagoas/Sergipe

 

 

RN, PB, PE e AL

 

 

440 Km

1,9 bilhão

 

1,59 bilhão

 

 

 

BNDES (60%)

Duplicação de trecho rodoviário na BR 101 entre a divisa de Alagoas/Sergipe e o entrocamento com a BR 324 na Bahia

SE e BA

373 Km

381 milhões

BNDES (60%)

Ferrovias

Construção do Trecho Ferroviário Estreito-Balsas

 

 

MA

 

 

240 Km

1,2 bilhão

 

480 milhões

 

 

BNDES (60%)

Construção da Ferrovia Transnordestina

Ramal do Gesso

 

PE

 

112 Km

346 milhões

 

Financiamento do FNDE (indefinido)

Construção da Ferrovia Transnordestina

Trecho Petrolina/Missão Velha

 

PE e CE

 

361 Km

 

364 milhões

 

Financiamento do FNDE (indefinido)

Construção do Contorno Ferroviário de São Félix

 

BA

 

0,3 Km

 

40 milhões

 

BNDES (75%)

Portos

Recuperação e Ampliação do Porto de Itaqui

 

 

MA

 

 

-

160 milhões

 

160 milhões

 

 

BNDES (60%)

Irrigação

Salitre

 

BA

 

31,1 ha

1,36 bilhão

362 milhões

 

Baixo Irecê

BA

59,63 ha

750 milhões

 

Pontal

PE

7,89 ha

256 milhões

 

Fonte (tabela): Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.

Fonte: Agência Nordeste
Última atualização: 03/01/2005 às 10:15:00
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