Alagoas tem potencial para o funcionamento de pelo menos mais 2.738 entidades sem fins lucrativos, segundo análise da economia solidária alagoana realizada pelo economista e gerente da Célula de Articulação para Negócios do Banco do Nordeste em Alagoas, Saumíneo Nascimento. Ele interpretou os dados da pesquisa “As Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos no Brasil – 2002”, o mais recente estudo sobre o tema realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), fruto da parceria com a Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (ABONG) e o Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE).
Nascimento esclarece que a economia solidária ressalta valores humanos, sendo fortalecida e praticada pelos movimentos sociais, como as organizações não-governamentais, associações, cooperativas e demais entidades sem fins lucrativos. Muitas delas defendem os direitos do cidadão, outras são voltadas para o microcrédito ou programas de pesquisa, ensino, proteção do meio ambiente e promoção da cultura, bem como os partidos políticos e as entidades sindicais, conforme o conceito de Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos (FASFIL) utilizado pelo IBGE/IPEA no estudo.
Em Alagoas, existem 1.814 Fasfil, que empregam 12.280 pessoas, gerando um total em salários de R$ 81,5 milhões. “Esse número representa apenas 0,66% de todas as entidades dessa natureza existentes no Brasil. Para ser proporcional ao número de habitantes do Estado, o ideal seria que Alagoas tivesse pelo menos mais 2.738 entidades sem fins lucrativos. Em Santa Catarina, por exemplo, tem-se uma Fasfil para cada 326 pessoas, enquanto que em Alagoas essa proporção é de uma para 1.605 pessoas”, informa Nascimento.
Continuando a análise, Nascimento faz um perfil da economia solidária alagoana: as entidades ligadas à religião têm a maior participação relativa e representam 26% das Fasfil de Alagoas; as entidades ligadas ao desenvolvimento e defesa de direitos representam apenas 17% das Fasfil alagoanas, o que o economista aponta como “um sinalizador sobre a possibilidade de avanço neste segmento, pois ele em geral é um vetor de minimização de problemas sociais”.
Em termos de pessoal ocupado, o grande destaque é para o setor de educação e pesquisa com 4.393 pessoas assalariadas ocupadas, especialmente a educação superior que, com 19 unidades, empregam 1.430 assalariados, com uma média de mais de 75 pessoas por estabelecimento. Já no quesito salários e outras remunerações, o setor que desponta é também o de educação e pesquisa, com cerca de R$ 34 milhões.
Fonte: Nordeste Notícias (BNB) |