Os R$ 831 milhões do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) terminam o ano ainda nos cofres do Governo Federal, já que não houve interessados nesse tipo de financiamento. Para 2005, o orçamento é de R$ 970 milhões e a indústria de alimentos e bebidas é um dos setores elencados como prioritários pela União. Isso inclui o principal produto da pauta de exportação de Pernambuco, o açúcar, que já responde por 40% das vendas para o exterior que saem do Estado.
Para a safra de 2004/2005 no Nordeste, a perspectiva do setor é chegar às 60 milhões de toneladas processadas, sendo 28 milhões de Alagoas. Pernambuco fica em segundo lugar no tocante ao volume, com 27 usinas e expectativa de faturar R$ 1,1 bilhão. Serão fabricadas cerca de 4,6 milhões de toneladas de açúcar e 1,7 bilhão de litros de álcool pelos estados de Alagoas, Pernambuco e Paraíba. Atualmente, 17% da matéria-prima colhida no País vêm da Região.
“Já existe o FNE, que tem um valor fixo. Mas quanto mais opções, melhor para os empresários”, disse o secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Esportes, Alexandre Valença. Em 2004, os R$ 3 bilhões disponibilizados pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) devem ser emprestados graças a ações da União para divulgar o dinheiro, que, como o FDNE, estava ficando nos cofres dos bancos.
Como a taxa de juros é a TJLP mais 0,15% a 3,15%, de acordo com o risco do projeto, antes esse tipo de empréstimo não era atrativo. A TJLP, que já chegou a 12% desde que o fundo foi criado, em 2001, está em 9,75% desde abril. Isso tornou o financiamento mais vantajoso para as médias e grandes empresas do que o FNE.
O diretor da Agência de Desenvolvimento do Nordeste (Adene), Manoel Brandão, explica que o empréstimo para uma empresa pode ser de, no máximo, 10% do valor global para o ano, logo, em 2005, um projeto pode receber até R$ 97 milhões.
“Quando a Sudene for recriada, não haverá problema com relação aos projetos já aprovados pelo fundo, que será assumido pela autarquia”, explicou Brandão. No momento, apenas um projeto foi entregue, para investimentos em um grupo do setor têxtil no Ceará e no Rio Grande do Norte.
Todos os bancos oficiais federais podem fazer o empréstimo. “O projeto deve ser encaminhado à Adene, que dá à empresa a opção de escolher o agente pelo qual quer fazer a operação”, explicou Miguel Romualdo Medeiros, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O prazo de pagamento do empréstimo é de 12 anos, com carência de três. O FDNE e o FDA, que atende a região Norte, foram criados na mesma época da Adene e da Ada para substituir o Finor e o Finam.
Fonte: Agência Nordeste, com informações do jornal FOLHA DE PERNAMBUCO. |