Nesses tempos turbulentos em que vivemos, estamos assistindo a coisas jamais vistas na história. Vemos, por exemplo, uma grande nação comunista prosperando sob regras capitalistas (a China) e agora, com a chamada crise das hipotecas americanas, estamos vendo a maior nação capitalista do mundo (Estados Unidos) passando por cima de seus princípios políticos e ideológicos para ajudar a salvar com recursos públicos instituições particulares que, por princípio, deviam se virar com as próprias pernas.
O plano proposto pelo governo norte-americano para salvar os principais bancos e colocar nos eixos a economia é, em linhas gerais, muito simples operacionalmente (embora seja complicado do ponto de vista político): o Tesouro compraria por US$ 700 bilhões os títulos “podres” que estão abarrotando as carteiras dos bancos e estes, depois de cinco anos, quando recuperarem sua saúde financeira, recomprariam os títulos. O importante seria sua salvação imediata.
A crise da subprime nos remete a um tema que diz bem de perto a nossos interesses, aposentados que vivemos dos minguados benefícios da Capef, em conexão com a situação de beneficiários da ação de equiparação das comissões BNB/BB que vem se arrastando há cerca de duas décadas. Há semelhanças importantes, senão vejamos.
A coisa pode ser vista assim: o direito que a Justiça nos deu sobre a questão é uma espécie de título podre, pois, em Salvador, o BNB sinalizou com uma proposta de pagar algo em torno de 10% do valor da questão. Um título sadio vale 100% de seu valor de face. Outra semelhança desses direitos com um título podre é que só Deus sabe quando o Banco vai nos pagar, tal como os responsáveis pelas hipotecas americanas, formada por caloteiros e outros tipos de segunda categoria do mercado bancário daquele país.
Para ser breve minha idéia é que a Capef, tal como o governo Bush, nos dê uma mãozinha, fazendo o seguinte: nos adiantar uma quantia por conta do que temos a receber do BNB sobre a citada questão da equiparação, até que o banco finalmente nos pague nossos direitos. Com isto nos salvaria da bancarrota. Fica a sugestão, que me parece mais criativa e efetiva do que a suspensão recorrente dos empréstimos assistenciais.
Finalmente, conclamo a que seja lembrado o seguinte: o objetivo da Capef não deve ser o de cumprir metas atuariais, embora seja um meio técnico e gerencial imperativo para sua sustentabilidade, mas de ajudar seus membros, que são pessoas, a sobreviver, tal como o objetivo do governo dos Estados Unidos não é primordialmente guardar os princípios da livre concorrência, mas de sustentar as instituições e o povo norte-americano, formado por pessoas, preservando-lhes a liberdade e as condições de prosperidade. |