Afinal, o que querem as mulheres brasileiras? A frase do Pai da Psicanálise, Sigmund Freud, serviu de inspiração para um dos mais abrangentes estudos realizados nos últimos anos para determinar o perfil das cidadãs do país. Quais são, efetivamente, as grandes demandas de 61,5 milhões de brasileiras com mais de quinze anos de idade no limiar do século XXI? Em qual frente de batalha elas estão se engajando para garantir vitória certa, sem recuos, nos próximos anos?
As respostas para essas indagações constam da pesquisa "A Mulher Brasileira nos Espaços Público e Privado", elaborada pela Fundação Perseu Abramo. Em 2001, a Fundação colocou em campo 300 pesquisadoras, que ouviram 2.502 mulheres em todo o país dentro dessa faixa etária. Acesso ao mercado de trabalho, direitos trabalhistas, jornadas de trabalho definidas, salários iguais aos dos homens, oportunidades na vida pública e política. A posição foi manifestada por 60% das entrevistadas, segundo a coordenadora do Núcleo de Opinião Pública da Fundação Perseu Abramo, a socióloga Marisol Recaman.
Das mulheres ouvidas, 40% classificam o emprego como seu principal objetivo, pois isso representa, como indica o levantamento, a garantia plena de sua independência como pessoa e mulher. "Eu posso decidir as coisas, eu posso falar o que quero. Não estou submetida a ninguém", justificaram aos pesquisadores algumas das entrevistadas.
Na opinião de Marisol Recaman, pelo conhecimento histórico que tem da trajetória feminina, esse é o perfil da mulher hoje no país. Mas, isso não quer dizer que essa nova mulher rejeite aquilo que é considerado pela sociedade o "mundo feminino", como a maternidade, o matrimônio. "Ela não desvaloriza isso. Isso é muito importante na vida dela. Mas, ela começa a indicar que as duas coisas são importantes e que é impossível voltar atrás".
Fonte: Agência Brasil |