Nos bancos, as mulheres estão em desvantagem. Mesmo estudando mais, as bancárias continuam ganhando menos. As instituições financeiras não oferecem as mesmas oportunidades de trabalho a ambos os sexos e deixam de lado a tão propalada “Responsabilidade Social”. Isto é o que prova o trabalho do Dieese – subseção CNB CUT/SP – intitulado “As Mulheres nos Bancos”.
Segundo o estudo, as bancárias concentram a maioria dos diplomas universitários: 54%. Mesmo assim, o rendimento médio das mulheres é inferior ao dos homens em seis capitais brasileiras. Em Belo Horizonte, os homens ganham, em média, R$ 761, enquanto as mulheres, R$ 480. Em São Paulo, eles ganham em torno de R$ 1.079 e elas, R$ 691. Essa disparidade se repete no Distrito Federal, Porto Alegre, Recife e Salvador.
Segundo o Dieese, isso pode ser explicado pela segregação ocupacional e pelo menor acesso a cargos de chefia e supervisão. De acordo com a diretora de Políticas Sociais da Confederação Nacional dos Bancários (CNB), Neide Aparecida Fonseca, o nível educacional das mulheres não é aproveitado. “Os bancos não dão oportunidade que as mulheres deveriam ter, conforme o grau de estudo”, esclarece. Para Neide, a Responsabilidade Social divulgada pelos bancos aos públicos externos realmente não é praticada com o público interno.
O prestígio também continua ao lado dos homens. Somente 4,8% das mulheres ocupam cargos de diretoria, enquanto os homens representam 95,2% desses postos. Eles representam 65,4% das gerências, chefias, supervisões; enquanto as mulheres 34,6%. Para a economista do Dieese Ioná dos Santos, questões culturais e sociológicas podem explicar essa desigualdade de oportunidades. “Esses dados comprovam que ainda predomina a ideologia de que a mulher deve ‘cuidar da casa’ na sociedade brasileira”, afirma.
Fonte: CNB-CUT |