Realizou-se na última sexta-feira, dia 25 de julho, mais uma audiência na Justiça do Trabalho referente ao processo movido pela direção do Banco do Nordeste contra o funcionário Wagner Fernandes, lotado em Quixeramobim-CE. A última audiência foi convocada pela própria Justiça do Trabalho visando um acordo entre as partes. Porém, mais uma vez a direção do BNB se negou a aceitar a “carta de esclarecimentos” redigida pelo funcionário e adicionada aos autos do processo como forma de se chegar a um acordo.
Wagner é diretor da Associação dos Funcionários do BNB (AFBNB) e delegado sindical de sua unidade, por isto a demissão por justa causa é a única forma de desligá-lo dos quadros do Banco. O modo intransigente com que a direção do BNB vem tratando a questão demonstra o caráter de perseguição política contra o funcionário, que ingressou no BNB em março de 2004 e, desde então, tomou para si a luta pelos direitos dos funcionários, incluindo a busca por melhorias no Plano de Cargos e Remuneração (PCR). O processo, no qual é réu, alega que o funcionário é indisciplinado e atentou contra a "honra e a boa fama do empregador".
“A forma truculenta com que vem agindo a direção do BNB é um sintoma que, infelizmente, nos relembra os velhos tempos de perseguição e tentativa de amordaçamento do funcionalismo”, afirma Wagner Fernandes. O diretor informa que está sendo assistido pelo advogado Tarcísio José da Silva, tendo em vista que o departamento jurídico do Sindicato dos Bancários do Ceará renunciou a defesa de acordo com orientação de sua direção.
“A AFBNB registra a sua preocupação com a forma como o BNB vem conduzindo o processo. Afinal, há disponibilidade de se chegar a uma solução diplomática, mas o Banco está pondo obstáculos”, destaca o diretor de Comunicação e Cultura da AFBNB, Dorisval de Lima. Ele ressalta que há questões de maior amplitude que merecem um esforço maior da Direção do BNB, a exemplo da proposta de Reforma Tributária, que apresenta pontos que podem prejudicar o BNB e a região Nordeste por não assegurar à Instituição a operacionalização dos recursos do FNE. Outra preocupação é a alta rotatividade de funcionários nos quadros do Banco, devido aos baixos salários – principalmente a partir da implantação do Plano de Cargos e Remuneração (PCR), maior responsável por esta realidade. |