A maioria dos bancários que compareceram à assembléia na noite de quarta-feira, 9/7, realizada no auditório do SINTE, decidiram aprovar o PCS da CAIXA, ainda que a proposta seja indigna e indecente para os trabalhadores.
O plenário ficou lotado. Nas falas de cada bancário ficou claro o grau de insatisfação com mais uma traição da Contraf/CUT, que não esperou o resultado das assembléias da maioria das capitais brasileiras para assinar o acordo com a CAIXA. A votação dividiu o plenário, mas no fim venceu a aprovação do PCS.
Após os informes, a plenária começou com o coordenador geral do Sindicato, Liceu Carvalho, explicando que o Sindicato não tinha a obrigação de realizar a assembléia, uma vez que a votação do dia 26/6, que rejeitou a proposta, teve ampla participação dos bancários da CAIXA. "Essa diretoria não tem medo de enfrentar os desafios. Por isso, convocamos mais uma vez a base para apreciar a proposta", afirmou o sindicalista antes de fazer um histórico do debate sobre o PCS iniciado após a greve de outubro do ano passado até hoje.
Liceu contou ainda que três das maiores bases do país - Brasília, Rio de Janeiro e Belo Horizonte - votaram pela rejeição da proposta da CAIXA. Em São Paulo, houve chantagem e assédio moral da superintendência do Banco. "Nas assembléias de São Paulo, os bancários devem entregar os crachás com os nomes na entrada. É uma forma de controlar o voto dos bancários. E mesmo assim, lá (em SP) eles tiveram que contar os votos", afirmou.
Jurídico
Após Liceu iniciar a assembléia, o advogado do Sindicato, dr. Manoel, explicou as questões jurídicas da proposta. Ele lembrou que o direito de escolha é um patrimônio individual
dos bancários e que a CAIXA quer retirar benefícios dos trabalhadores. "A CAIXA quer que vocês se reúnam aqui em assembléia para que todos percam os benefícios do plano anterior. A verdade é que a proposta da CAIXA agride os direitos dos trabalhadores. Essa proposta é um retrocesso social", disse.
As intervenções se dividiram entre aqueles que, de forma coerente, mantiveram a rejeição da proposta e os bancários que decidiram acompanhar a maioria das bases do país. As frases que mais se destacaram no debate foram ditas no calor da emoção pelos trabalhadores que acompanharam a direitoria e disseram NÃO ao PCS da CAIXA. "Não vou dar um cheque em branco para a CAIXA", por Eugênio, "Não abro mão dos meus direitos", por Jânia, e "Temos soldados, mas não fomos convocados para a batalha", por Beatriz, arrancaram aplausos do auditório.
Por fim, os bancários que votaram NÃO à proposta da CAIXA assinaram uma lista onde autorizam o Sindicato a entrar na Justiça contra a Empresa caso haja prejuízo de benefício para os bancários. |