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Notícias

  08/07/2008 

Desenvolvimento Regional: Gestão Ambiental merece destaque

No livro “Por um Nordeste melhor - proposta de estratégias de desenvolvimento regional”, o Conselho Técnico da AFBNB aponta que a Gestão Ambiental merece destaque na construção de um Plano Nacional de Desenvolvimento Regional. Para falar sobre o assunto, conversamos com Ademir Costa, membro do Conselho Técnico da AFBNB. Militante do Movimento Proparque, Ademir é licenciado em Filosofia e graduado em Comunicação Social.
Confira a entrevista:

Nossa Voz - Por que a Gestão Ambiental merece destaque na construção de um Plano Nacional de Desenvolvimento Regional, conforme aponta a AFBNB no documento "Por um Nordeste Melhor"?

Ademir Costa - A civilização de ponta que a humanidade forjou nos últimos três séculos deu-nos a capacidade de curar umas doenças e gerar outras. A maior delas é a contaminação do planeta Terra que, de tão agredido, exige trégua. A Terra acena lenço branco a seu modo e na mesma proporção dos golpes que recebe: mudanças climáticas, desertificação... Precisamos "captar a mensagem" e mudar o curso da civilização. Um país do tamanho do Brasil não pode fazer-se de surdo. Pelo contrário, terá poder de convencer outras nações, se ousar internamente, caindo fora desse modelo de civilização comparável a um trem desgovernado, veloz, rumo ao abismo. Dessa forma, um Plano Nacional de Desenvolvimento Regional precisa ter uma visão de futuro cujo pano de fundo é esta ameaça presente. O desenvolvimento a ser perseguido deve ser outro, baseado nas premissas da sustentabilidade, e não, naquelas do gozo desenfreado agora, sem solidariedade com nossos contemporâneos nem com nossos netos, bisnetos... O recorte ambiental deve ser opção radical de governantes e governados, países do Norte desenvolvido e do Sul banguela. A Terra é uma só. Ou nos salvamos juntos ou todos estaremos perdidos.

Nossa Voz - O documento sugere que questões básicas como reserva legal, áreas de preservação permanente, outorga de água e sistemas básicos de gestão ambiental devem ser observadas. Qual a ligação destas questões com um processo de desenvolvimento sustentável?

O desenvolvimento sustentável, conforme o Relatório Brundtland, "é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem a suas próprias necessidades" (COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO. Nosso futuro comum. 2. ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1991. 430 p.). A opção por este tipo de desenvolvimento requer cuidado com os itens colocados na pergunta, mas não só. Não basta seguir a lei ao pé da letra. É necessário ir além. Se uma área não é reserva legal nem de preservação permanente, ainda assim deve ser tratada com cuidados que a mantenham arável e produtiva, habitável e com boa paisagem. Antes de pensar na outorga, é necessário preservar a água de qualquer contaminação, disponi-bilizá-la para todos como bem público, respeitar seu ciclo que não tem a velocidade imposta pelo homem à sociedade atual. Os sistemas produtivos devem ser convertidos o quanto antes para exigirem menos matérias-primas e energia, mais adubação orgânica (aliminação dos adubos químicos, de pesticidas e outros "cidas"). A indústria, o comércio e os serviços devem adotar práticas de respeito aos ciclos da natureza, para estarem integrados em uma visão de reciclagem, de reúso e de retorno saudável dos materiais (as sucatas) ao meio ambiente. Os grandes projetos devem ser avaliados não só pelas divisas e lucros gerados, mas pela contribuição para a vida das pessoas em termos de conhecimento, conforto, convivência, distribuição de renda, elevação da cultura, longevidade e permanente regeneração dos recursos naturais. Projetos que dão lucros financeiros exorbitantes, mas deixam para trás a devastação ambiental são, na verdade, deficitários.

Nossa Voz - Como você avalia o tratamento dado pelo poder público a esta questão? O que há de mais urgente a ser mudado? Como podemos contribuir para estas transformações?

O poder público lida com a gestão socioambiental de forma ambígua, o que reflete o predomínio da postura meramente espoliadora da natureza: o Brasil faz leis para ficar “bonito” perante a ONU, mas não constrói ou até desmantela os órgãos do Estado encarregados de fiscalizar o cumprimento da lei. Este é o caso do Ibama: faltam pessoal e equipamentos (navios, barcos, helicópteros). Este é o caso de órgãos ambientais dos Estados. Quando eles próprios não autorizam atividades depredadoras, deixam de fiscalizar o cumprimento das medidas mitigadoras dos danos. Há disputa dentro do próprio governo, o que se refletiu na queda da ministra do meio ambiente, Marina Silva. O pessoal do agronegócio está ganhando a parada. Isso significa dificuldades persistentes para a adoção de um projeto de desenvolvimento nacional no paradigma do desenvolvimento sustentável. É necessário que o governo todo, por seus ministérios, adote a transversalidade socioambiental que se concretiza até nos usos e costumes, no consumo sustentável, na produção e em relações que não geram miséria. Nós, enquanto AFBNB, podemos nos juntar a setores da sociedade que se mobilizam no sentido de o Brasil buscar e adotar outras alternativas. Podemos e devemos exigir outro modelo de desenvolvimento. Utopia? Sim, e com razão. Chega de só raciocinar nos moldes do que é possível de imediato. É hora de pensar como os jovens franceses de 1968 que pintaram nos muros de Paris: “Seja razoável. Exija o impossível”.

Última atualização: 08/07/2008 às 16:46:00
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