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Notícias |
13/06/2008 |
"Jornada de lutas está pautando a sociedade" |
Representantes dos movimentos sociais avaliam que, apesar da repressão da polícia em alguns Estados, manifestações estão conseguindo denunciar para a sociedade a ação das transnacionais “Conseguimos colocar em destaque o debate sobre a disputa de modelo para a sociedade. Queremos discutir um modelo de soberania energética e alimentar para o país”. Essa é a avaliação de André Sartori, da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), sobre a jornada de lutas organizada pelos movimentos sociais para denunciar a ação das transnacionais no país. Manifestantes realizaram protestos em 13 estados (veja infográfico), promovendo ocupações de terra e de hidrelétricas, bloqueios de estradas e de ferrovias. Representantes da Via Campesina e da Assembléia Popular – duas articulações de organizações camponesas e urbanas – avaliaram positivamente o saldo das ações realizadas no primeiro dia da jornada, terça-feira (10). Para Sartori, os protestos ajudaram a desmistificar a ilusão de que "grandes projetos como a construção de hidrelétricas trazem desenvolvimento para o país. Denunciamos que esse modelo concentra riqueza e que essas empresas concentram riqueza”, avalia. O aspecto negativo ficou por conta da polícia, que reprimiu com violência as ações no Rio Grande do Sul e em São Paulo. Na terça (10), durante a ocupação da transnacional de alimentos Bunge, localizada na cidade de Passo Fundo, seis pessoas ficaram feridas e foram hospitalizadas. Um caminhão com 8 mil kg de alimentos da agricultura familiar que seriam distribuídos a famílias carentes de Passo Fundo foi apreendido pela polícia. Os manifestantes tentaram evitar a apreensão e foram alvejados por bombas de gás e balas de borracha. Já na quarta-feira (11), em Porto Alegre, uma manifestação contra a governadora Yeda Crusius (PSDB) deixou 25 feridos. A Brigada Militar impediu os manifestantes de chegarem à sede do governo gaúcho. Em outra ação no mesmo dia, a polícia agiu com violência contra manifestantes que ocupavam a rua do supermercado Wall Mart, em Porto Alegre. Outras seis pessoas acabaram hospitalizadas. "O que estamos vivendo aqui ultrapassa a criminalização”, afirma Milton Viário, presidente da Federação dos Metalúrgicos do RS. As ações no Rio Grande do Sul são contra o aumento do preço dos alimentos, a produção de celulose e o preço da energia. "A orientação da Segurança Pública do Estado é simplesmente de retirar os manifestantes. Nossas ações foram abortadas”, indigna-se Viário. Pauta concreta Em Minas Gerais, o saldo do início da jornada é avaliado positivamente. De acordo com Frederico Santana Rick, da Cáritas Brasileira, "ao final da mobilização feita com a ajuda de 10 comunidades, saímos da mobilização com uma pauta concreta”. Há 25 anos, organizações populares reivindicam a transposição da linha férrea da Ferrovia Centro Atlântica (FCA), pertencente à transnacional Vale do Rio Doce. Na terça-feira (10), cerca de 500 pessoas bloquearam a linha férrea controlada pela empresa entre as 7 e as 12 horas para denunciar os impactos negativos da operação da Vale. Comunidades ficam ilhadas em até duas horas por conta da operação das locomotivas que transportam minérios. Desde 2007, quatro pessoas morreram dentro de ambulâncias por causa do trancamento. Os representantes da FCA e da Vale garantiram o início das obras no prazo de 40 dias. Até essa data, será desenvolvido um projeto de transposição que inclui uso social para a área hoje ocupada pela linha. Danos ambientais No Ceará, os organizadores da mobilização que paralisou as áreas de carga e descarga do Porto de Pecém, em São Gonçalo do Amarante, região metropolitana do Estado, avaliam que a atividade foi muito positiva. "Cumprimos com o papel de alertar a sociedade em relação à ameaça que a construção de grandes projetos representa”, avalia Monise Ravena, do setor de comunicação do MST. Os cerca de mil manifestantes da Via Campesina cercaram o porto e impediram que navios atracassem. O protesto foi contra o projeto de transposição do rio São Francisco, o aumento do preço dos alimentos, o projeto de instalação de cinco termoelétricas, uma refinaria de petróleo e uma siderúrgica. "Caso esses projetos sejam implementados, os danos ambientais serão enormes”, afirma. Apesar da forte intimidação a que os manifestantes foram submetidos - 90 homens do batalhão de choque cercaram a área por 4 horas e chegaram a atirar para cima -, ninguém foi ferido. Ao final da mobilização no Pecém, os manifestantes foram diretamente para a Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), em Fortaleza "com uma pauta mais imediata”: crédito para assentamentos, educação no campo e projetos de irrigação para assentamentos rurais. Embora os manifestantes tenham conseguido marcar uma reunião com o secretário de Desenvolvimento Agrário, não devem sair do local até que consigam uma audiência com o governador do Estado, Cid Gomes. Em Minas, Via Campesina e Assembléia Popular ocupam trilhos da Vale Manifestação apresenta pauta de reivindicações de famílias atingidas pelas operações da empresa mineradora; organizações pressionam deputados para cobrar a dívida da Vale com os munícipios Integrantes da Via Campesina e da Assembléia Popular ocuparam, na manhã desta quinta-feira (12), os trilhos da ferrovia da Companhia Vale, a 12 km do município de Governador Valadares(MG). A ação começou por volta das 6 horas da manhã, com cerca de 1.200 integrantes dos movimentos, incluindo membros das famílias atingidas pelas obras da empresa, quilombolas e indígenas, que permanecem no local. Os manifestantes exigem que a mineradora abra negociação com as 500 famílias da comunidade Pedra Corrida, que será desalojada pela barragem de Baguari, a ser construída pela empresa na divisa dos municípios de Valadares e Periquito. Até o momento, nenhuma negociação foi realizada. De acordo com Vanderlei Martini, integrante do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e da Via Campesina, no início da manifestação alguns policiais em três viaturas da Polícia Militar e um funcionário da Vale tentaram impedir que a ocupação continuasse, o clima ficou tenso, mas não houve confrontos e a situação atual é tranqüila. Pressão parlamentar Martini explica também que a ocupação tem como objetivo pressionar os deputados estaduais. As organizações querem que o Seminário Minas de Minas, na Assembléia Legislativa de Belo Horizonte (MG), apresente resoluções favoráveis ao meio ambiente e às causas sociais da população atingida pelas obras da Vale. Segundo ele, a mobilização exige o aumento dos royalites que a empresa tem que pagar aos municípios, assim como o pagamento das dívidas da Companhia junto aos municípios cujo valor soma R$ 6 bilhões. Os manifestantes reivindicam também que sejam construídos viadutos sobre a ferrovia e uma passarela para a travessia dos alunos de uma escola que fica próxima aos trilhos. Também exigem que os trilhos que passam pelo centro de Belo Horizonte sejam deslocados, pois a população da cidade sofre com o barulho dos trens. Barragem de Aymorés Outro problema apresentado pelo integrante do movimento é a atual situação das famílias atingidas pela Barragem de Aymorés, da Vale, que foram deslocadas para outra região, em casas onde falta saneamento e o esgoto não funciona direito. A Via Campesina, através de documento divulgado, denuncia que não foram atendidas nenhuma das pautas apresentadas na ocupação feita em março deste ano nos trilhos no município de Aymorés e as famílias permanecem nas mesmas condições. “Ao invés de apresentar propostas, a Vale apresentou cantores às famílias”, contou Vanderlei, referindo-se à ação da empresa que organizou um show musical na região. Martini acrescenta que a mobilização exige que o governo abra um processo de reestatização da Vale e pare de priorizar o agronegócio. A ocupação integra a jornada nacional de luta contra a política econômica e contra o agronegócio. Fonte: Brasil de Fato |
| Última atualização: 13/06/2008 às 08:00:00 |
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