Por Neide Aparecida Fonseca*
Segundo a Febraban: "Um sistema financeiro saudável, ético e eficiente é condição essencial para o desenvolvimento econômico e social do País." A pergunta que se faz é o que os bancos entendem por ética e eficiência?
Será ético descumprir a legislação brasileira?
Será ético colocar em risco a vida do quadro de funcionários e funcionárias?
Será ético expor a vida de clientes e usuários?
Será ético orientar gerentes a agir como se fossem vigilantes de banco?
Será ético utilizar-se de menores aprendizes para manusear controle de porta giratória, como se fossem profissionais da segurança?
Será ético desvio de função, quando se coloca estagiário para atender clientes na porta das agências, além disso, sem a menor segurança?
Com tudo isso é forçoso reconhecer que o único País pelo qual os bancos lutam para o desenvolvimento econômico e social é um país chamado LUCRO.
Ética? Responsabilidade social? Valorização funcional? Preocupação com o público externo? Tudo isso não passa de um jogo de palavras a ser utilizado como melhor lhes convier.
O fato é que essa semana começou com a greve de vigilantes, e os bancos, por seu turno, devem cumprir a lei federal sobre segurança bancária, mantendo no mínimo dois vigilantes por local de trabalho.
E o que temos visto nesses dias são bancários(as) amedrontados(as), estressados(as), com medo de assalto. Temendo por suas vidas e ainda sendo obrigados a cumprir tarefas explicitamente dos profissionais de segurança.
Extrapolando o desrespeito pela vida alheia, os bancos passam orientações onde visivelmente a preocupação é com o patrimônio. Abra-se a agência a despeito de tudo, mas... cuidado com os valores.
Além de forçar a abertura ilegal os bancos veladamente demonstram que responsabilizarão aos funcionários se eventualmente algo acontecer com os "valores em caixa".
Por sua vez os funcionários amedrontados, ficam entre obedecer e preservar o emprego, ou descumprir e preservar a vida. Hoje um bancário do banco Bradesco nos fez lembrar Maquiavel em sua famosa frase: "O que fazemos por necessidade, devemos fazer parecer que foi por vontade nossa que fizemos".
Não é por vontade dos funcionários que as agências bancárias estão funcionando sem a menor segurança, num total descumprimento da lei, embora os bancos os orientem a fazer entender que seja isso, que não há risco nenhum, que eles querem trabalhar. Os funcionários estão, como já dissemos, em pânico. A chegada do sindicato é um verdadeiro alívio, eles se sentem seguros, protegidos, com suas vidas valorizadas.
Porém, os sindicatos não podem estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Por isso a formula é a de sempre: unirem-se e recusar-se a trabalhar sem as condições devidas. Coloquem suas vidas em primeiro plano!
Os banqueiros estão infringindo a lei no que tange à Organização do trabalho; a Periclitação da Vida e da Saúde, além de ferir de morte a Lei 7.102, que dispõe sobre Segurança para estabelecimentos financeiros.
Responsabilidade Social é de fato uma forma de gestão, que deve ser pautada na ética e na transparência, levando em consideração, não somente os aspectos econômicos, mas os ambientais, sociais e os direitos da pessoa humana. Fora isso é só bla bla bla. Ou como diriam os escravagistas de antanho, é só para inglês ver.
*Neide Aparecida Fonseca é diretora-executiva da Contraf-CUT
Fonte: Contraf-CUT |