Suely Salgueiro Chacon - sschacon@uol.com.br Economista, doutora em Desenvolvimento Sustentável (UnB) e professora da Unifor
O que é ser humano? Essa simples interjeição nos leva a uma profunda reflexão sobre o que temos feito com nossa casa, o Planeta Terra. O homem foi se distanciando da sua real condição de ser pertencente a uma espécie, a espécie humana, que habita na natureza e dela faz parte. Achando-se acima de tudo e de todos, inclusive de seus semelhantes, o homem foi instituindo um ´reinado´ que privilegia a sensação de ter, em detrimento da plenitude do ser.
As conseqüências desse ´modelo´ de existência foram se engendrando ao longo da história conhecida da humanidade, e se exacerbaram com as possibilidades ampliadas de consumo em massa. Na medida em que os bens se tornam descartáveis, o homem explora cada vez mais a natureza e seus semelhantes para garantir que uma minoria privilegiada possa acumular e consumir, enquanto a maioria da humanidade é cada vez mais excluída e explorada, assim como a própria natureza. O aumento do desmatamento, a desertificação, a falta de água, as mudanças climáticas, bem como a fome a exclusão, a exploração irracional do trabalho humano, inclusive de crianças, a falta de respeito aos idosos e todas as formas de racismo e preconceito são exemplos do que nós mesmos fizemos ao nosso planeta e aos nossos semelhantes.
No momento em que comemoramos o Dia Mundial do Meio Ambiente, cabe refletirmos sobre o que podemos fazer como espécie para reverter esse processo autodestrutivo. Muitos já se mobilizam. É preciso perceber nossa responsabilidade com o semelhante hoje e no futuro, e nos comprometermos com uma transformação real, para que todos se beneficiem. Garantir o acesso de todos à informação e a uma vida digna é o mínimo, e pode ser cobrado de governantes, mas a responsabilidade ética de mudar de atitude começa em cada um de nós.
Fonte: Diário do Nordeste |