Alberto Amadei – Economista
Os bancos continuam demitindo. A despeito de jamais na história deste país terem lucrado tanto.
Vários bancários que ganharam em 1ª instância, no caso do antigo BEC, foram demitidos outra vez, arbitrariamente pelo Bradesco, com clara violação da sentença judicial. Há denúncias de assédio. Os sindicatos peticionam, mas a denúncia perante a opinião pública desapareceu no horizonte sindical. Há, entretanto, casos emblemáticos, como a vitória na segunda instância da Justiça do Trabalho, que manteve a reintegração de uma bancária militante.
NO dia 12 de dezmbro, o Pleno do TRT, 2ª instância da Justiça do Trabalho, apreciou o recurso impetrado pelo Bradesco para cassar a reintegração da funcionária Hyrlanda Moreira, demitida política do ex-BEC e dirigente da Oposição Bancária/Ceará, ocorrida em fevereiro de 2007.
Os desembargadores do TRT, por três votos a dois, resolveram manter a decisão da 1ª instância da Justiça do Trabalho que reconheceu a legitimidade da tese da estabilidade amparada pelo Decreto estadual 21325/91, que proibia demissões imotivadas na Administração direta e indireta.
Os funcionários do BEC, nessa condição, incorporaram esse benefício aos seus contratos individuais de trabalho. Assim, o Bradesco que sucedeu o BEC com a privatização, adquiriu não só o “bônus” do filé estatal, na esteira do acordo FHC-Lula-FMI, como também o “ônus” da estabilidade de seus funcionários.
A vitória sindical judicial é simbólica porque a militante de esquerda Hyrlanda Moreira inaugurar a lista de demissões do ex-BEC, logo após a privatização. O processo, cuja tese de estabilidade tornou-se uma referência para os demais demitidos, e o resultado vitorioso nas duas instância da Justiça do Trabalho, sinaliza uma tendência judicial.
Três anos após a privatização do BEC, as demissões sem justa causa continuam. Mais de duzentas. No interior das agências, há discriminação com os ex-becistas, que desempenham funções fora das atribuições de seus cargos.
O silêncio da mídia sobre as demissões dos ex-becistas e o arrocho salarial, bem como a discriminação ideológica dos militantes são graves indicadores de que o setor financeiro intensifica a exploração além de patrocinar a perseguição dos militantes sindicais da esquerda combativa.
A mobilização sindical deve ser dirigida para formar um pólo combatente, fundado na democracia operária e solidariedade de classe, capaz de unificar a resistência dos trabalhadores e derrotar a ofensiva neoliberal.
Fonte: Jornal O Estado
Relembre outras casos de perseguição ideológica a militantes:
Caso do dirigente sindical Dirceu Travesso: http://www.afbnb.com.br/noticias_detalhes.asp?Cod=3952
Caso do diretor da AFBNB Wagner Fernandes: http://www.conlutas.org.br/exibedocs.asp?tipodoc=noticia&id=855
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