A síntese da proposta do novo Plano de Funções em Comissão (PFC) dos funcionários do Banco do Nordeste foi ponto de discussão na última reunião do Pleno da Diretoria da AFBNB, na tarde do dia 9 de maio. A discussão marcou o primeiro encontro com a consultora Lydia Brito, contratada pela Associação para uma análise do Plano.
Na oportunidade, vários pontos foram debatidos. Os diretores compararam o novo Plano de Funções a um “remendo mal feito” ao Plano de Cargos e Remuneração (PCR) em termos numéricos. “O Banco tenta atenuar o rebaixamento ocasionado pelo PCR através de um Plano de Funções que também é rebaixado, já que será baseado em cargos de valores inferiores”, apontou o diretor de Comunicação e Cultura da AFBNB, Dorisval de Lima.
Outras críticas foram centradas na questão do piso defendido pelo Banco, que na verdade acaba funcionando como um teto; na transformação de funções de 6 horas para de 8 horas, sem o pagamento de adicional; e na permanência da diferenciação de valores para uma mesma função quando executada na agência e na Direção Geral – distorção historicamente combatida pela AFBNB.
“Do ponto de vista técnico, o Plano de Funções não apresenta nenhum erro, já que o conteúdo da função quem determina é a empresa, por ser um aspecto subjetivo e baseado nos seus objetivos”, disse Lydia Brito. A contradição está exatamente neste ponto. “Não vejo nenhuma articulação da missão desenvolvimentista do BNB neste Plano”, acrescentou. Para ela, o PFC é conservador e compatível para um banco privado. Sobre quem deveria ganhar mais, a consultora foi taxativa: “Na visão do mercado e na lógica das grandes empresas, quem é responsável pela entrada do dinheiro recebe melhor remuneração – no caso do BNB deveriam ser as agências, que efetivamente realizam o negócio e assumem os seus riscos”, informou.
Lydia destacou que a função de Agente de Desenvolvimento parece sofrer esvaziamento na atual gestão. Além disso, criticou os efeitos nefastos do Plano de Cargos e Remuneração (PCR). “O atual salário do funcionário do BNB não lhe dá condições de investir na sua formação enquanto trabalhador de um banco de desenvolvimento”, disse. Tal desestímulo se reflete nos números. Segundo bem lembrou o diretor Wagner Fernandes, somente do último concurso de 2004, o BNB chegou a convocar cerca de 3.400 aprovados para 400 vagas. “Isto significa que 3.000 não assumiram ou desistiram com pouco tempo de Banco”, analisou.
A consultora sugeriu algumas estratégias para a atuação da AFBNB, que serão divulgadas posteriormente. Ela ressaltou, ainda, que não se deve apressar a aprovação do Plano sem um amplo debate com o corpo funcional. “Os funcionários precisam conhecer o novo Plano de Funções, compreender o que de fato muda com a sua implementação e se posicionar”, disse.
Diante disso, a AFBNB dará início a uma ampla campanha de mobilização para que os funcionários leiam o Plano – já divulgado em seu site – e já comecem a levantar as contradições percebidas. Além disso, irá solicitar ao Banco o documento completo que gerou a síntese da proposta.
A AFBNB luta e busca incessantemente a implantação de um sistema de remuneração - tanto PCR quanto Plano de Função - que contemple as reais necessidades dos funcionários. Entendemos que tal sistema deva levar em consideração a natureza e as peculiaridades de um banco de desenvolvimento e, além disso, ser condizente com a remuneração paga a trabalhadores de outras instituições semelhantes, também federais, como o BNDES, de forma isonômica e não discriminatória. Com esse entendimento, a Associação defende a garantia da retroatividade da vigência do PFC,inclusive para os funcionários que estãos substituindo outro, conforme já proposto à diretoria do Banco, e a continuidade da discussão para corrigir distorções com o objetivo de se construir um plano autêntico e satisfatório para os funcionários do BNB.
Dessa forma, a Associação reitera a sua responsabilidade enquanto entidade representativa do funcionalismo, procurando dar a devida ransparência e importância a essa discussão, que foi ponto demandado por seus representantes, durante Reunião do Conselho de Representantes. “Nós queremos um Plano que atenda aos anseios dos trabalhadores do BNB e não beneficie apenas uma minoria. O novo Plano de Funções precisa ser consistente e condizente com um banco de desenvolvimento, valorizando sua força de trabalho”, avaliou o presidente da AFBNB, José Frota de Medeiros, acrescentando que todo esforço será feito nesse sentido.
Sobre a consultoria – Lydia Brito é doutora em Educação pela Universidade Federal do Ceará, mestre em Sociologia, especialista em Teoria e Prática de Serviço Social, graduada em Serviço Social pela Universidade Estadual do Ceará e consultora de Recursos Humanos. É funcionária aposentada do BNB, onde trabalhava na área de recursos humanos.
A necessidade da contratação de uma consultoria especializada para a avaliação do novo Plano de Funções em Comissão (PFC) foi identificada durante reunião da Comissão Nacional dos Funcionários do BNB (CNFBNB), e articulada pela AFBNB, enquanto entidade-membro da Comissão. Da reunião, além da AFBNB, participaram a coordenação da CNFBNB, e diretores da Associação que integram a diretoria de sindicatos (PE, RN, BA).
Fonte: Assessoria de Comunicação da AFBNB |