Imagine um funcionário que atinge as metas estabelecidas pela instituição na qual trabalha; que se dedica e não mede esforços para que sua unidade se destaque dentre as demais; que trabalha para que o banco alcance plenamente sua missão desenvolvimentista. Ele mereceria reconhecimento? Para a diretoria do BNB, se esse funcionário ousou buscar seus direitos e, nessa ousadia, foi à Justiça contra o Banco, a resposta é não. Ele não merece ser reconhecido, nem premiado. Aliás, ele não pode ser promovido, adido, participar de cursos, concorrências ou qualquer outra coisa que de alguma maneira reconheça sua competência (na maioria dos casos, a revelia da vontade do gestor que acompanha o desenvolvimento das atividades dos funcionários diariamente).
Pode até parecer, mas isso não aconteceu em nenhuma instituição do século passado! Infelizmente é atual e se passa em uma gestão que se diz democrática, no Banco do Nordeste. Pois bem, no próximo dia 14 será realizada a solenidade de premiação dos funcionários da agência Fortaleza/Centro, pelo 1° lugar no programa de ação 2007 e 2°lugar na produção de seguros. Entre os agraciados, porém, a diretoria do Banco já registrou – via email do Gapre enviado aos gerentes – que estão excluídos, inclusive – pasmem – até mesmo de participarem do sorteio de prêmios aqueles funcionários que estejam “em litígio com o Banco, quando se tratar de demanda por este iniciada, visando à rescisão do contrato de trabalho”; “seja autor de ação individual movida contra o Banco durante o período aquisitivo do reconhecimento”.
Isso contradiz todo e qualquer princípio de um Estado democrático de direito, além de ser no mínimo estranho, mesmo se analisado sob a ótica do capital. Ora, se um funcionário, mesmo estando em litígio com o Banco, realiza seu trabalho com eficiência a ponto de ser indicado – por seus méritos – a uma premiação, ele mostra o quanto envolvido com a instituição está! O quanto é profissional e o quanto se importa com a instituição, o que não significa dizer que deva aceitar passivamente que lhe subtraiam direitos ou algo que o valha. O Banco, por sua vez, leva para a esfera pessoal, o que deveria se restringir ao âmbito institucional, perseguindo funcionários e os discriminando abertamente.
A AFBNB - que lançou em março a Campanha Quem faz o BNB merece respeito, contra o trabalho gratuito e o assédio moral no Banco -, mais uma vez, vem a público repudiar tal postura. É inadmissível que práticas como essa perdurem em uma instituição que busca o desenvolvimento. Desenvolvimento passa por ética nas relações pessoais! Que desenvolvimento queremos, afinal de contas? De que forma e para quem?
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