As imagens que vimos neste 1º de Maio foram de luta em todo o mundo. Trabalhadores, desempregados, movimentos sociais, estudantes. O povo foi às ruas para comemorar o Dia Internacional dos Trabalhadores com suas bandeiras em punho. Contra a fome, a alta dos preços, contra a política neoliberal aplicada por inúmeros governos, por educação e saúde de qualidade, pelo direito dos imigrantes e tantas outras reivindicações. Foi assim na França, Inglaterra, Indonésia, Coréia do Sul, Tailândia, Paquistão, Turquia, Nepal, Suíça, Alemanha, Estados Unidos, Paraguai. O Dia Internacional dos Trabalhadores manteve a sua tradição.
No Brasil foram as organizações sindicais e partidárias, movimentos sociais e populares e o movimento estudantil, de esquerda, que garantiram o caráter de luta do 1º de Maio.
Caso contrário, a data seria marcada somente pelos megashows e festas milionárias, com distribuição de prêmios, promovidas pelas centrais sindicais governistas CUT e Força Sindical.
São Paulo - Um ato classista e socialista levantou suas bandeiras vermelhas na praça da Sé. Organizada pela Conlutas, Intersindical, Pastorais Sociais, MTST, MST, PSTU, PSOL e PCB, a manifestação reuniu cerca de 2 mil pessoas, que resgataram o 1º de Maio de 68, na mesma praça da Sé, quando o governador Abreu Sodré foi expulso do palanque a base de vaias, paus e pedras. “Um representante do governo não vai falar em um ato dos trabalhadores”, diziam.
O ato de 2008, além de classista, manteve seu caráter internacionalista. O massacre cometido recentemente pelas tropas da ONU, comandadas pelas Forças Armadas brasileiras, foi denunciado por José Maria de Almeida. Zé Maria, da coordenação nacional da Conlutas, responsabilizou o governo Lula por essa violência e pediu uma vaia ao presidente.
Denunciou ainda a política do governo Lula no Brasil. A elevação de preços, o arrocho salarial, a retirada de direitos dos trabalhadores e aposentados. “Um governo aliado dos empresários e banqueiros desse país”, disse. Segundo Zé Maria, é necessário manter a luta. “Para conseguir aumento de salários, aumento para os aposentados, saúde, educação, moradia”. Ele lembrou que a maneira de fortalecer essa luta é através da unidade dos trabalhadores, fazendo um apelo a Intersindical e setores combativos da classe que se unam e avancem em sua organização.
Falaram também dirigentes da Intersindical, das pastorais, MTST, do MST, dos partidos de esquerda presentes. O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos enviou um representante ao ato, pois realizou um ato na própria cidade contra os ataques aos direitos promovidos pela GM.
Fortaleza – Um ato classista e de luta marcou o 1º de Maio em Fortaleza reunindo diversas categorias que estão em processo de mobilização. Cerca de 500 manifestantes denunciaram a política mercenária dos empresários da construção, que provocou uma greve dura e radicalizada na categoria - enquanto um metro quadrado de um condomínio de luxo custa R$ 3 mil, o salário dos trabalhadores da construção civil é de R$ 415. Servidores municipais, trabalhadoras da confecção feminina, indígenas, movimentos sociais e populares da região, entidades estudantis e partidos de esquerda marcaram sua presença.
“Cadê, cadê, a Fortaleza Bela, se o trabalhador mora mesmo é na favela?”, “Não é livre quem vive a oprimir, fora as tropas brasileiras do Haiti”, foram algumas das palavras de ordem entoadas pelos manifestantes.
O diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Belém (PA) e membro da Coordenação da Conlutas esteve presente para prestar solidariedade aos companheiros em luta.
A realização do I Congresso da Conlutas também foi lembrada no ato, que terminou ao som do grupo de rap Reviravolta.
São José dos Campos - Cerca de 300 pessoas participaram de um ato em São José dos Campos. Foi um ato unificado dos trabalhadores em defesa dos direitos, pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários, por emprego, moradia e condições dignas de vida.
A manifestação reuniu sindicatos de diversas categorias como metalúrgicos, químicos, condutores, da alimentação, petroleiros, dos Correios, aposentados, da saúde e oposições sindicais da construção civil, de professores e servidores municipais. Moradores do Banhado e os sem-teto do Pinheirinho, que realizam uma forte mobilização em defesa da moradia contra os ataques da prefeitura, também participaram ativamente da manifestação.
Houve panfletagem do jornal unificado do movimento sindical sobre o 1º de Maio e uma apresentação teatral do grupo Atuadores, sobre acidentes de trabalho, iniciou a manifestação.
Diante dos ataques que estão sendo feitos pelas empresas na região, como a GM que quer impor Banco de Horas e reduzir salários; como a Johnson que também planeja reduzir os salários na fábrica em até 38%; ou ainda os condutores que estão sob ameaça de perda de direitos e empregos; os discursos apontaram o caminho da unidade, da resistência e da luta dos trabalhadores para barrar os ataques dos patrões.
Aguardamos informes de outros atos de protesto ocorridos no país.
Fonte: Conlutas
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