por Clarissa Oliveira e Moacir Assunção
Centrais sindicais mudam o tom no Dia do Trabalho. Os maiores eventos em São Paulo organizados pela Força Sindical e Central Única dos Trabalhadores foram marcados por elogios ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, minimizou a mudança de tom das festas. O senador Cristovam Buarque disse que o 1º de maio "amarelou"
Apesar de o Dia do Trabalho ter se tornado palco histórico de reivindicações e críticas ao governo, as comemorações do 1º de Maio deste ano, em São Paulo, selaram o namoro protagonizado pelo movimento sindical e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As duas maiores festas realizadas para a data - a da Força Sindical e a da Central Única dos Trabalhadores (CUT) - lembraram atos de apoio ao governo federal. De acordo com a Polícia Militar, mais de 800 mil pessoas passaram pela festa.
A CUT, tradicionalmente alinhada a Lula, aproveitou a ocasião para destacar a importância de um "trabalhador" ter chegado ao Palácio do Planalto. Já a Força, que costumava se encarregar de críticas mais duras, demonstrou que a adesão do PDT à coalizão afetou sua própria relação com a administração federal. Os primeiros sinais de que as festas deixariam ataques em segundo plano apareceram há alguns dias, com a confirmação de que o ministros Carlos Luppi (Trabalho) e o presidente da Câmara Arlindo Chinaglia (PT-SP) compareceriam aos dois eventos.
O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, não chegou nem perto de repetir os ataques feitos a Lula no ano passado, quando disse que o presidente estava "no mundo da lua". Dessa vez, ele elogiou a recuperação do salário mínimo e agradeceu o veto do presidente à Emenda 3 do projeto que cria a Super Receita. "Quando você tem espaço de negociação, não precisa xingar ninguém", disse, ao ser questionado sobre o tom do discurso.
Agora ministro do Trabalho, o presidente do PDT, Carlos Lupi, minimizou a mudança no tom da festa da Força. "A gente às vezes está no mundo da lua e depois vem para o mundo real", disse em referência às falas de Paulinho no ano passado.
Tanto na Força quanto na CUT, as críticas à Emenda 3 centraram o alvo no Congresso Nacional. Sobrou ainda para o governador José Serra (PSDB), atacado pela demissão de sindicalistas que fizeram, na semana passada, uma paralisação de protesto contra a regra.
Tanto Paulinho da Força, quanto o presidente nacional da CUT, Arthur Henrique da Silva, insistiram que sabem reconhecer acertos do governo federal, mas não deixam de criticar quando necessário. Ainda assim, o senador Cristovam Buarque admitiu a existência de uma "acomodação" das centrais no governo Lula. "O 1º de maio está amarelando", disse.
Fonte: Agência O Estado |