A Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), assim como os demais organismos de desenvolvimento, deve ser fortalecida e atuar de forma integrada para a construção das bases para o crescimento sustentado e sustentável do Nordeste. Esta é uma das premissas defendidas pelos representantes da Associação dos Funcionários do Banco do Nordeste do Brasil (AFBNB), por meio da Carta de Recife. O referido documento é levado a público nesta terça-feira, dia 30 de abril, mesma data da sessão de instalação e posse do Conselho Deliberativo da SUDENE, em Maceió-AL.
A solenidade, com previsão de início às 15h, no Hotel Ritz Lagoa da Anta, terá a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A Associação dos Funcionários do Banco do Nordeste será representada pelo seu diretor-presidente, José Frota de Medeiros, a convite do superintendente da SUDENE, Paulo Sérgio Fontana.
O Conselho Deliberativo é o órgão máximo de articulação e decisões estratégicas da Superintendência. Para o presidente da AFBNB, José Frota de Medeiros, sua instalação deve marcar a retomada do planejamento regional no País. “As políticas de desenvolvimento foram praticamente abandonadas, devido à postura conservadora do governo”, afirma Medeiros. “Precisamos de uma SUDENE fortalecida, que contribua efetivamente para a redução das desigualdades regionais e sociais do Nordeste”, acrescenta.
Sobre a Carta de Recife
A Carta de Recife é assinada pelos funcionários do Banco do Nordeste que integram o Conselho de Representantes da AFBNB. Ela é fruto das discussões da 33ª Reunião do Conselho de Representantes da AFBNB, ocorrida nos dias 28 e 29 de março, em Recife, Pernambuco. Além do fortalecimento dos organismos de desenvolvimento das regiões Norte e Nordeste – a exemplo do BNB e do Banco da Amazônia – ela também aponta para a construção de uma “Política Nacional de Desenvolvimento Regional”.
--- Mais informações Patrícia Guabiraba - Assessora de Comunicação da AFBNB (85) 3255.7000 / comunicacao@afbnb.com.br
CARTA DE RECIFE - POR UM NORDESTE MELHOR
Reunidos em Recife, Pernambuco, nos dias 28 e 29 de março de 2008, nós, representantes da Associação dos Funcionários do Banco do Nordeste do Brasil (AFBNB), debatemos sobre as profundas desigualdades regionais e sociais que assolam o Nordeste, com o objetivo de apontar caminhos para a superação deste cenário. Na oportunidade, enquanto funcionários do BNB, refletimos sobre as mudanças de paradigma no campo da economia e da política, a crise no modelo de crescimento econômico e a responsabilidade dos governos e movimentos sociais na construção de um Nordeste melhor.
A situação de crise por que passa o modelo de desenvolvimento econômico mundial e a necessidade de uma intervenção do Brasil neste contexto exige uma postura firme dos nossos governantes. A nossa preocupação principal é com a formulação de uma estratégia regional inserida numa estratégia nacional de desenvolvimento, que deve considerar os indicadores sociais e as desigualdades de renda nas regiões Norte e Nordeste.
Portanto, para reverter esse quadro é fundamental que se fortaleçam as lutas por uma “Política Nacional de Desenvolvimento Regional”, amplamente discutida com a sociedade; por um projeto de país soberano, republicano e democrático, voltado para os interesses da maioria do povo brasileiro; e pelo fortalecimento de uma infra-estrutura institucional, que deve se refletir no fortalecimento da SUDENE, do BNB, da CODEVASF, do DNOCS, da Chesf, além do Banco da Amazônia (Basa), dentre outros.
Tais organismos, indispensáveis para a concretização de planos e projetos regionais, devem atuar de forma integrada enquanto conglomerado estatal de apoio ao desenvolvimento. Isto será possível a partir da retomada do planejamento regional, por meio da Sudene, e tomando-se como foco principal a construção das bases para um crescimento sustentado e sustentável, com uma distribuição eqüitativa dos frutos do desenvolvimento por todas as regiões e para todos os estratos sociais, particularmente aqueles de mais baixa renda.
A hora é agora. É fundamental que a reforma tributária garanta os recursos necessários e o fortalecimento dos instrumentos de desenvolvimento das regiões Norte e Nordeste. A responsabilidade de todos nós, enquanto nordestinos e brasileiros, aumenta na medida em que os resultados das eleições na América Latina expressam a rejeição à lógica neoliberal e à tutela norte-americana. É igualmente fundamental, nesta ótica, construir um Nordeste para todos os nordestinos, resgatar a nossa identidade, exigir a regionalização dos recursos do Orçamento Geral da União e fazer do Nordeste o palco das transformações necessárias para a libertação do nosso povo.
É com esta convicção – e baseados no imperativo de erradicação da pobreza e das desigualdades inter-regionais no solo pátrio, conforme prevê a Constituição de 1988 – que propomos, politicamente, um projeto alternativo e democrático, POR UM NORDESTE MELHOR, baseado nas sementes de todo o progresso humano do povo, disputando palco a palco os espaços de discussão, tentando encurtar o tempo histórico deste “longo amanhecer” da sociedade nordestina. Tal projeto somente será viável a partir de um amplo debate prévio, com a participação de vários segmentos da sociedade, e do consenso político para a efetivação de um pacto social que envolva o esforço conjugado do governo, setor privado e movimentos sociais organizados.
Recife, 29 de março de 2008. Conselho de Representantes da Associação dos Funcionários do Banco do Nordeste do Brasil |