O presidente da Associação Brasileira de Instituições Financeiras de Desenvolvimento (ABDE), Pedro Falabella, diz que ações para agricultura familiar devem desenvolver célula produtiva e não apenas incentivar a sobrevivência
O presidente da Associação Brasileira de Instituições Financeiras de Desenvolvimento (ABDE), Pedro Geraldo Raimundo Falabella, critica o modelo atual de incentivo ao desenvolvimento no Nordeste e diz que a região precisa de um olhar diferenciado. Pedro Falabella participou da reunião da diretoria da ABDE sexta-feira, em Fortaleza.
"Não dá para pensar o Brasil de uma sala em Brasília", dispara Pedro Falabella. Ele afirma que o Nordeste é uma região atípica, um universo diferente. "Ninguém pode dizer que entende a região se não viveu aqui e compartilhou dos problema", opina. Para ele a solução começa por uma nova visão do modelo de agricultura familiar adotado atualmente. "O agricultor planta um hectare de mandioca, come a metade e vende a outra metade, e só. É preciso pensar no agricultor como uma célula produtiva, que tenha um futuro digno e não apenas de sobrevivência", explica.
À frente também da Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam), Pedro Falabella critica ainda o "protecionismo" aplicado nas ações do Governo Federal como o bolsa-família e o bolsa-escola. "O Governo tem que sair da mesmice. Parar de repetir o que vem sendo feito a centenas de anos. Temos que pensar em algo mais concreto para essa população. Na Amazônia criamos o programa Plantar o Futuro e incentivamos - paralelamente à mandioca - para que o agricultor cultive mais duas culturas. Uma delas com ciclo à médio prazo e outra com ciclo á longo prazo, para que, daqui a 10 ou 20 anos, esse agricultor tenha uma espécie de poupança verde", exemplifica. Pedro diz ainda que a questão cabe ao Ministério do Desenvolvimento Agrário. "Não podemos manter a velha tradição. É preciso provocar um debate sobre o tema", observa.
Ceará Pedro Falabella também avaliou a questão do desenvolvimento no Ceará. Ele aposta no setor turístico como prioridade para o desenvolvimento do Estado. "O que não impede que se invista em outras áreas, como a indústria", avalia. Mas o administrador ressalta que o Ceará precisa antes de mais nada focar suas ações na segurança, para só então poder divulgar de forma satisfatória o destino. Com uma experiência difícil (ele teve o sobrinho assassinado na Praia do Futuro) ele lembra que a região é privilegiada e precisa explorar o potencial.
Com relação à guerra fiscal estabelecida entre os Estados brasileiros, com a intenção de atrair investidores, Pedro também é enfático. "Acredito que isso vai acabar com a reforma tributária. O Governo tem que sentar e resolver. Não pode fazer cada um o que bem quiser, porque no fundo acaba prejudicando todo mundo". Para o presidente da ABDE, alguns Estados oferecem incentivos que não podem suportar.
Ele fala que devem ser criadas regras que possam ser aplicadas para todos os Estados e que cada um vai então ter que "botar a cabeça para funcionar" e criar novas maneiras de incentivo para atrair novos investidores, e manter os que já têm.
Fonte: Jornal O Povo |