No último dia 30 de março, as instituições bancárias programaram os próximos reajustes de suas tarifas que podem chegar até 150%, segundo fontes oficiais do Banco Central. Os reajustes entrarão em vigor no próximo dia 30 de abril, antes que a nova regulamentação do Conselho Monetário Nacional (CMN) para as tarifas passe a vigorar.
As novas regras aplicadas pelo CMN limitam a 20 o número de serviços que podem ser cobrados pelas instituições financeiras; além de padronizá-los (adotar o mesmo nome para facilitar a comparação pelos clientes) e aumentar a oferta dos processos bancários gratuitos. Outra alteração provocada pelas novas normas é o prazo mínimo de seis meses para o reajuste das tarifas, que, em nosso entendimento, deveria ser de no mínimo um ano.
A nova regulamentação vem, oportunamente, ao encontro da esmagadora maioria da sociedade brasileira, que é espoliada, diariamente, pelas absurdas taxas cobradas nos bancos, na ganância por lucros. De acordo com dados do Procon de São Paulo, quase 9% do salário mínimo do consumidor brasileiro pode estar sendo gasto com o pagamento de tarifas bancárias. O cálculo foi feito com base no salário mínimo de 2007.
O governo federal tem se mostrado conivente, ou no mínimo, omisso no combate à sangria do povo brasileiro por parte dos bancos. O fato agravante é que essa espoliação se dá justamente em um governo que - nos tempos de oposição - bradava aos quatro cantos contra a avidez dos banqueiros por lucro. Lula vem seguindo à risca a mesma política adotada por Fernando Henrique Cardoso - de dar livre arbítrio para a “banqueirada” agir à solta no comando do setor financeiro do País.
No começo do ano, os grandes bancos privados brasileiros anunciaram seus lucros estratosféricos de 2007. Itaú, Bradesco e Unibanco atingiram recordes de R$ 8,47 bilhões; R$ 8,01 bilhões e R$ 3,45 bilhões, respectivamente. Calculemos essa quantia de quase R$ 20 bilhões sendo empregada em projetos sociais – de saúde, educação, habitação, lazer - por todo o Brasil. Quantos milhões de brasileiros esses bilhões de reais poderiam estar ajudando? Os maiores lucros da história dos bancos privados do Brasil acontecem exatamente durante um governo que se dizia combatente a essa sede por acúmulo de capital. O fato é, no mínimo, bastante contraditório.
Para abrandar essa altíssima lucratividade supracitada, as instituições financeiras estatais devem desempenhar um papel primordial no que diz respeito ao bem-estar social e ao desenvolvimento aliado a uma melhor distribuição de renda. Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, BASA e Banco do Nordeste do Brasil têm o dever, sim, de desconcentrar renda e garantir a saúde do sistema financeiro nacional que, direta ou indiretamente, atinge o bolso de todos os brasileiros. Estes bancos federais devem atuar no ramo financeiro com o intuito de puxar as tarifas para patamares mais baixos, sempre.
Diante de tal situação – aumento de tarifas, filas imensas, mau atendimento etc. - a sociedade, os movimentos sociais, associações, sindicatos e entidades representativas em geral precisam questionar esse modelo e pensar em estratégias de se contrapor ao formato atual desse sistema financeiro.
A AFBNB, entidade civil que luta pelos direitos dos trabalhadores e fortalecimento do BNB, se mostra bastante preocupada com a ótica exploradora que acontece atualmente nos bancos brasileiros – o aumento exorbitante das tarifas foi apenas mais uma maneira de usurpar dinheiro do povo, entre tantas outras. A Associação se indigna ainda mais quando percebe que até mesmo bancos públicos, a exemplo do Banco do Brasil, entraram nessa corrida sem freios por lucros, olvidando a verdadeira missão de uma instituição financeira pública.
Fonte: Assessoria de Comunicação da AFBNB |