A Associação dos Funcionários do BNB (AFBNB) vem acompanhando, de perto, os desdobramentos do caso Cobra, vigilante quanto ao respeito aos servidores e às relações entre funcionários e gestores. O episódio instaurou uma crise no Banco, gerando revolta não só nos colegas das áreas, mas em todos os servidores do BNB.
Na tarde da última terça-feira, a entidade esteve reunida no auditório do Gabinete da Presidência (Gapre) com a direção do Banco e cerca de 40 funcionários, a fim de cobrar esclarecimentos sobre o episódio que resultou no afastamento de cinco gestores do ambiente de tecnologia. Os gestores foram acusados, em momentos distintos, de terem se omitido, participado de fraude na elaboração do projeto básico de licitação e repassado informações sigilosas ao Tribunal de Contas da União (TCU). Conforme o chefe do Gabinete da Presidência (Gapre), Kennedy Moura Ramos, houve omissão no processo de licitação da empresa de informática que prestaria serviços ao Banco desde o mês de setembro de 2004.
Durante o encontro, o presidente Roberto Smith explicou que os funcionários foram afastados em virtude da apuração do caso pela auditoria do Banco.
As acusações, segundo os funcionários presentes, são inconsistentes. De acordo com eles, o projeto básico de licitação foi elaborado com antecedência e com a participação de servidores das áreas de tecnologia, jurídica e logística. O projeto teria sido encaminhado ao Gapre, que o teria devolvido alegando o estudo de alternativas. O desenlace da situação foi a contratação da empresa Cobra, sem licitação. “A Direção talvez tenha cometido um pecado de tempo. Se necessário, faremos nova licitação. Os ministros do TCU entendem os problemas do Banco, mas querem o necessário respaldo normativo”.
Ao se manifestar na reunião, o chefe do Gapre afirmou que não era sua intenção ferir a honra dos funcionários da Área de Tecnologia da Informação (TI) nem do Banco, de um modo geral. Dessa forma, Kennedy Moura apresentou ali o seu pedido de desculpas, extensivo a todos, e acrescentou: “Eu não teria nenhuma dificuldade em colocar isso no papel”. A AFBNB reafirma seu veemente protesto contra atitudes autoritárias como esta ocorrida na reunião do dia 22. A partir deste fato paira sobre os gestores uma permanente dúvida acerca das licitudes de suas ações.
Segundo o presidente estaria havendo mau gerenciamento da área de Tecnologia da Informação (TI), cujos contratos não estariam sendo acompanhados a contento. Os colegas das áreas de tecnologia da informação e logística, presentes ao encontro, criticaram a duplicidade de comando na área, a existência de entraves no fluxo de informações entre eles e a diretoria, uma espécie de “poder paralelo”. O presidente anunciou que o diretor João Emílio Gazzana vai acompanhar a área de TI, junto com a superintendente em exercício, colega Anadete Apoliano Albuquerque. O diretor Assis Arruda estará junto, acompanhando sob o aspecto da administração de pessoal.
A Associação espera que as investigações sejam conduzidas com isenção total, amplo direito de defesa e que todas as hipóteses sejam levantadas e apuradas com rigor. A auditoria teve início na última segunda-feira, 25/10, com a instalação de uma comissão, nomeada pelo presidente. Segundo Roberto Smith, os cinco funcionários afastados permanecem com seus cargos e funções assegurados, sem perdas salariais. “Ao final da auditoria interna, nada se encontrando contra eles, serão reconduzidos sem nenhum registro da ocorrência em suas fichas funcionais”, assegurou.
Associação dos Funcionários do BNB - AFBNB |