Organizações sociais realizaram protestos em todo o país, no dia 1º de abril, para questionar os argumentos do governo federal com relação à transposição do rio São Francisco. Os protestos tiveram, como tema, o "Dia da mentira do Governo federal e dia da Verdade do Povo". Fechamento de pontes, ocupações, paralisação de trabalhadores e panfletagens foram ações dos manifestantes em todo o Brasil.
Em São Paulo, um ato organizado por movimentos sociais com a presença do bispo dom Cappio foi a principal atividade. Na Bahia, cerca de 500 manifestantes acamparam em frente à prefeitura de Casa Nova e ocuparam sua sede. O local foi escolhido por conta dos graves conflitos agrários envolvendo posseiros de uma área com cerca de 30 mil hectares e empresários que tentam grilar as terras ocupadas há mais de 100 anos.
Em Sergipe, centenas de manifestantes interditaram por duas horas a ponte que liga os municípios de Propriá (SE) e Penedo (AL), no baixo São Francisco. Segundo a coordenadora do Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), Alzení Thomaz, é nessa região onde mais se evidenciam os problemas. "A vazão nessa área é de 1.100 m³, mostrando o quanto está assoreado. A normalidade, nesse período de estiagem é de 1.700 m³", explica Alzení.
Por todo o país, a maior parte das atividades, além de ser contra a obra de transposição do rio São Francisco, tiveram pautas que questionavam as políticas públicas principalmente do governo federal, como em Fortaleza (CE), Recife (PE) e Belo Horizonte (MG).
Transposição na pauta da CNBB
A polêmica sobre a transposição do rio São Francisco também entrará na pauta da 46ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Itaici, Indaiatuba (SP). Segundo o bispo Dom Luis Cappio, que no fim do ano passado fez 24 dias de greve de fome contra a transposição, serão discutidas, na Assembléia, mais questões sociais do que técnicas. "A soma dos projetos da ANA [Agência Nacional de Águas] e da Articulação do Semi-Árido atenderiam 44 milhões de seres humanos de dez estados e não apenas quatro estados, como prevê o projeto de transposição", disse dom Cappio. As 530 obras hídricas previstas no Atlas Nordeste de Abastecimento Urbano de Água, proposto pela Agência Nacional de Águas (ANA) é outro ponto que os bispos irão discutir.
Fonte: Assessoria de Comunicação da AFBNB, com informações da agência Brasil de Fato e do Jornal O Povo |