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Notícias

  24/03/2008 

Planeta não trata preservação das águas

Presente na atmosfera, nos extremos da Terra, em estado sólido e percorrendo milhares de quilômetros continente adentro. A água impressionou Yuri Gagarin, que do espaço concluiu: "A terra é azul".

Considerada a base da existência terrena, apontada por darwinistas como primordial para as reações que deram início à vida e adotada, por diversos religiosos, como simbolo supremo da pureza e do renascimento.

Mas como este elemento tão necessário ao homem do ponto de vista biológico, cultural e histórico vem sendo tratado nos dias de hoje? Estudos, pesquisas e até mesmo a experiência diária demonstram que a água corre o risco de se tornar pivô de conflitos mundiais antes do fim desse século.

Segundo dados da ONU (Organização das Nações Unidas), em 2050 mais de 45% da população mundial não terá água sequer para atender as necessidades básicas diárias.

Apesar da maior parte da superfície do planeta ser coberta por água, 97% do total se concentra no mar, em situação imprópria para consumo ou aproveitamento em processos industrias; 1,75% é gelo; 1,24% está em rios subterrâneos, muitas vezes de difícil acesso. Restam, então, apenas 0,007% do total de água para o consumo de mais de seis bilhões de pessoas no mundo.

Água em Pauta

“Todos dizem que hoje o maior problema da humanidade é o petróleo, sendo que na verdade essa preocupação deve ser direcionada para a água”, declarou o consultor da FAO, setor da ONU para agricultura e alimentação, José Borghetti, durante o fórum Água em Pauta, realizado na segunda semana de março em São Paulo. No encontro, Borghetti destacou a importância do Brasil, o país mais rico em água doce no mundo.

“Temos 12% do total de água doce do planeta e 53% do total da América do Sul. Para se ter uma idéia, no nordeste, onde a população brasileira sofre mais com a falta desse recurso, calcula-se uma distribuição de 3,9 mil m3 por habitante. Na China, essa disponibilidade é de 3,1 mil m3 per capita”.

Borghetti, também biólogo e superintendente da usina bi-nacional Itaipu, explicou que as condições favoráveis no Brasil podem ser, ironicamente, a maior causa da má utilização do recurso. Isso porque a população e os governos não atentaram para o fato de que a água, um dia, pode acabar.

“Cerca 69% da água consumida no país é utilizada na agricultura e pecuária, sendo que apenas 50% do que é utilizado para manter as lavouras já seria o suficiente para garantir a produção das safras. Ou seja, poderíamos economizar metade da água nesse setor. Para se ter idéia, na produção de 1kg de alimento gastamos 6 litros de água. Na Europa, são gastos 1,6 litros para produzir a mesma quantidade”.

Ainda de acordo com o especialista, e como exemplo de utilização necessária mas desmedida, para a produção de 1 kg de carne são necessários 10 litros de água, aproximadamente.

Outro lado: gerenciar os recursos é a prioridade
Não é novidade que as ações do homem vêm colocando em risco os reservatórios de água potável do planeta. De tempos em tempos os meios de comunicação divulgam dados alarmantes a respeito da possível falta da fonte nas próximas décadas.

Mas há quem conteste o fato de alguns especialistas dizerem que pode faltar água no mundo. E um deles é o geógrafo Pedro Jacobi. De acordo com o cientista, o que deve ser levado em conta é o gerenciamento do recurso natural, e não o desaparecimento. “A quantidade de água na Terra é invariável há centenas de milhares de anos. O que muda é a sua distribuição e estado”, explicou.

A justificativa da afirmação de Jacobi é feita por meio da explicação do Ciclo Hidrológico - a água disposta nos mares e continentes evapora, na atmosfera transforma-se em nuvens e volta a se precipitar para a terra na forma de chuva, neve ou neblina.

“Depois escorre para rios, lagos ou para o subsolo, formando os importantes aqüíferos subterrâneos e, aos poucos correm de novo para o mar mantendo o equilíbrio no sistema hidrológico do planeta”, afirmou.

Portanto, a única coisa que poderia acontecer, segundo o especialista, é a água se tornar imprópria para o consumo por causa da poluição dos reservatórios. Por outro lado, algumas regiões podem sofrer com o assoreamento de rios e lagos, já que a partir do acúmulo de terra nas calhas acontece a diminuição da capacidade destes resevatórios naturais. 

Escassez pode ser corrigida com boa gestão da água

Atualmente, a ONU (Organização das Nações Unidas) calcula que cerca de 1,1 bilhão de pessoas não possuem  acesso à água doce. A organização também prevê que em 2050 cerca de 45% da população mundial não irá contar com a quantidade mínima de água para satisfazer as necessidades básicas.

O consultor da FAO, órgão da ONU para Alimentação e Agricultura, José Borghetti, declarou que existem estimativas apontando que em 2025 aproximadamente 2,8 bilhões da população mundial projetada poderá viver em condições de disponibilidade hídrica social catastrófica.

Ou seja, existe água em abundancia no planeta, mas a poluição dos reservatórios e mananciais, mais a falta de manejo adequado das terras, são fatores que colocam em risco a qualidade da fonte.

Outra questão que não deve ser desconsiderada é a distribuição do bem no planeta. Os países com a maior parte das reservas de água potável no mundo são Brasil, Rússia, China e Canadá. Por isso, nações que contam com pouca quantidade de água em seus domínios, dependem da conservação, captação e armazenamento da fonte e de seus mananciais.

Algumas localidades, no entanto, optam por economizar água por meio da importação de alimentos, como os países Árabes fazem. Isso porque a região do Oriente Médio é desértica – apenas Israel produz alimentos de forma significativa, devido a uma tecnologia avançada de irrigação que requer baixa quantidade de água na produção.  

A conclusão a que chegamos é que o elemento água não deve desaparecer da Terra, mas há riscos de que a fonte, na forma potável e necessária para a sobrevivência do homem, está em risco.

“Mesmos os aqüíferos subterrâneos correm risco de serem contaminados pelos esgotos urbanos, industriais e agroindustriais. A saída para evitar a escassez está nos investimentos em infra-estrutura, que impeçam a poluição e permitam a proteção de reservatórios, principalmente aqueles dos quais dependem regiões de grande concentração populacional”, concluiu Borghetti. 

Fonte: Projeto Brasil - Luís Nassif

 

 

Última atualização: 24/03/2008 às 10:49:00
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