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Notícias

  05/03/2008 

Banqueiros continuam sangrando a sociedade

Banqueiros continuam sangrando a sociedade Vivemos num Brasil onde impera o liberalismo econômico, a abertura total do território nacional, a especulação e sonegação financeira, a concentração e centralização de capitais etc, um país com o destino traçado pelos senhores do capital financeiro. Estes oligarcas do capital-dinheiro concentram tanto capital e riquezas que podem ter em sua folha de pagamentos jornalistas, comentaristas, economistas, especialistas e redação de jornais, rádios e telejornais. Além destes, os oligarcas das finanças ainda têm em sua folha de pagamentos a diretoria do Banco Central, inclusive seu presidente, o sr. Henrique Meireles. Toda esta gente a serviço dos donos da grana proclamam diuturnamente e em verso e prosa que o mundo neoliberal, o mundo da especulação, onde deitam e rolam, é o melhor dos mundos.

Para manter a estabilidade da moeda e preservar os fundamentos da economia, os senhores do capital financeiro colocam suas tietes do governo e imprensa para convencer a massa trabalhadora da necessidade de criar “reservas” cada vez maiores. Estas reservas, isto é, caixa à disposição da banca financeira para sacar em qualquer das crises cíclicas do capital global, hoje somam a fabulosa quantia de 330 bilhões de reais (US$ 180 bi). Dos recursos do FAT (Fundo do Amparo ao Trabalhador), que deveriam ir para a Previdência Social, foram retirados mais de 125 bilhões de reais, segundo a Unafisco (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da União), o que representa aproximadamente a metade. Para engordar as reservas da banca financeira, todo novo governo faz uma Reforma da Previdência e arrocha o Salário Mínimo.

Outra forma dos banqueiros se resguardarem da crise cíclica é o superávit primário, isto é, saldo positivo no caixa do governo entre a arrecadação de impostos da sociedade e as despesas com o pagamento do funcionalismo, gastos sociais (saúde, educação, moradia, infra-estrutura, pagamento das dívidas etc.) e a corrupção. No ano passado, o governo federal fechou com superávit de mais de 4,2% do PIB, cerca de 130 bilhões, o que dá mais de 3 CPMFs. O montante ficou acima da meta dos próprios banqueiros, que era de 3,8%. Mesmo com o imposto criado para a saúde pública, a CPMF, por exemplo, o governo deixou de aplicar no setor, nos últimos 10 anos, mais de 35 bilhões de reais. O dinheiro, que poderia ter salvado a vida de milhares de operários, foi desviado para gerar o tal superávit primário à disposição dos banqueiros.

Os banqueiros são, de longe, os maiores expropriadores da carga de impostos que recaem sobre a massa trabalhadora. Mas são, ao contrário, os maiores caloteiros ou sonegadores de impostos no país. A política fiscal no Brasil já privilegia os grandes proprietários por princípio da política neoliberal. Ela isenta de tributação das grandes riquezas e heranças, enquanto que um trabalhador que recebe dois salários mínimo é obrigado a entregar um para pagamento de impostos. A Receita Federal, depois de concluir a análise de 313 processos no ano passado, autuou em 3,3 bilhões de reais as instituições financeiras no Estado de São Paulo. As fraudes encontradas tinham como objetivo a manipulação de entradas de recursos e despesas para fraudar o pagamento do Imposto de Renda. Nos últimos 10 anos, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) identificou um calote de mais de 32 bilhões de reais no pagamento de Imposto de Renda.

Outra grande farsa dos donos do capital financeiro e suas marionetes da grande imprensa e governo é o discurso de que a privatização dos bancos estaduais e a fusão dos grupos privados aumentam a concorrência e a competitividade no setor, o que desencadeia a redução das tarifas e dos juros e melhoram o atendimento. A compra do ABN Amro Real pelo Santander significará a este último uma economia, ou “sinergia geográfica e de negócios”, isto é, com demissões e fechamento de agências, de mais de US$ 1 bi. Hoje, com apenas 4 bancos controlando o setor, as tarifas já representam a segunda fonte de receita, perdendo apenas para a ciranda financeira. Com a farsa da competitividade, os banqueiros extorquiram a sociedade em cerca de 55 bilhões de reais com tarifas, o equivalente a uma e meia CPMF. Por outro lado, o atendimento ao público em geral, isto é, à massa trabalhadora, é realizado fora dos bancos, por meio dos caixas eletrônicos.

Na base da produção de toda essa imensa massa de riqueza estão os bancários. Como os demais trabalhadores, a sua situação está inversamente ligada ao lucro dos banqueiros. Quanto mais concentração bancária e mais tecnologia empregada, mais substituição de mão-de-obra qualificada por menos qualificada com menor salário, mais desemprego e maior a extensão da jornada de trabalho e intensificação do trabalho. Com a “flexibilização” das relações do trabalho, os bancários se tornaram multifuncionais e submetidos a metas cada vez mais absurdas e inatingíveis. Os banqueiros são os campeões em reclamação trabalhista por “straining”, isto é, segundo a juíza Márcia Novaes Guedes, da Associação Juízes para Democracia, quando “um grupo de trabalhadores é obrigado a trabalhar exaustivamente, produzir e obter resultados sob grave pressão psicológica e ameaças de sofrer castigos humilhantes, como ser despedido”.

José Tafarel

Fonte: Jornal Inverta

Última atualização: 05/03/2008 às 10:48:00
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