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Notícias

  04/03/2008 

ARTIGO: Um bilhão de mulheres no aconchego do lar

Por Neide Fonseca*

Enquanto a violência das ruas e o crime organizado são temas de muitas discussões cotidianas em todo planeta, a violência dentro da estrutura familiar é ainda quase que intocável. Protegida que está sob o manto do silêncio no "aconchego" do lar, a violência doméstica não tem fronteiras, princípios ou leis; não tem cor, raça ou classe.

Das cerca de 51% das mulheres do mundo, um bilhão já foi vítima de violência de gênero, cometida por seus parceiros. É por isso que mais do que doenças como o câncer de mama e de útero, mais do que a Aids e seu crescimento entre as mulheres, mais do que a desigualdade de salários, o que mais preocupa as mulheres, segundo pesquisa CFEMEA, é a violência doméstica e a violência fora de casa (assédio sexual).

A cidadania em sua essência é composta de quatro dimensões: a social; a econômica; a educacional e a existencial. No que se refere à cidadania existencial, especificamente no caso das mulheres, os dados da violência continuam alarmantes, impedindo as suas vítimas do pleno exercício da cidadania, além do desprezo aos direitos e garantias individuais.

A violência de gênero ocorre diariamente em toda parte e em todos os paises, mesmo havendo mecanismos constitucionais de proteção aos direitos humanos e/ou mecanismos legais.

Consolidados ao longo da história e reforçados pela ideologia patriarcalista, os papeis designados às mulheres e aos homens, estabelecem relações violentas entre os sexos, indicando que a prática da violência doméstica não é fruto da natureza, e sim, do processo de socialização. Logo, a natureza não é responsável pelos padrões e limites sociais que determinam comportamentos agressivos aos homens e dóceis e submissos às mulheres. Os costumes, a educação, os meios de comunicação, recriam, criam e preservam estereótipos reforçando a idéia de que o sexo masculino tem o poder de controlar os desejos, as opiniões e a liberdade de ir e vir das mulheres.

Estudiosos afirmam que a prática da violência doméstica e sexual surge nas situações em que uma ou ambas as partes envolvidas em um relacionamento não cumprem os papéis e funções de gênero imaginadas como naturais pelo parceiro.

As vozes silenciadas é que permitem comportamento que reforçam a violência, como por exemplo, os sacerdotes católicos da Croácia quando aconselham as mulheres que sofrem maus-tratos de seus maridos a se resignarem, pois, caso contrário, cometeriam um pecado.
Um bilhão de mulheres, ou uma em cada três do planeta, já foram espancadas, forçadas a ter relações sexuais ou submetidas a algum outro tipo de abuso.

Na França, seis mulheres morrem por mês em conseqüência da violência domestica. No Brasil, em Pernambuco, antes de terminar o segundo mês deste ano 2008, 39 mulheres foram assassinadas. No Rio de Janeiro, em 2006, foram notificados 36 mil casos de agressão à mulher. Em 2007, na Espanha, 72 mulheres morreram vitimas da violência doméstica. Na Guatemala, 497 mulheres foram assassinadas em 2004. Os números diminuíram pouco nos últimos três anos.

Na América Latina e Caribe, se pegarmos dez mulheres maiores de quinze anos em cada país, veremos que quatro peruanas e quatro nicaragüenses sofrem violência física de seus companheiros; no México, três mulheres são vitimas de violência psicológica e duas de violência econômica; três brasileiras de violência física extrema e duas haitianas de violência física. Entre 1990 e 2007, mais de 900 mulheres chilenas foram assassinadas por seus companheiros ou ex-companheiros. No Uruguai, uma mulher morre a cada nove dias, vitima de violência doméstica. A violência também vai ao mesmo ritmo na Bahamas; na Costa Rica; em El Salvador; em Porto Rico, etc.

Em um contexto de desigualdades e discriminações, a violência de gênero é sem dúvida uma violação sistêmica e sistemática dos direitos humanos e um obstáculo ao desenvolvimento econômico; social e democrático em todos os países.

Data mundialmente reconhecida desde 1975, pela ONU, como dia internacional da mulher, o oito de março é sempre um momento para refletir o quanto a humanidade evoluiu desde 1911, quando nossas companheiras foram queimadas na fábrica em Nova Iorque.

Eu proponho aos homens que nesta data além de dar flores ou outros mimos em recordação ao dia, reflitam sobre que mundo queremos e estamos construindo para o futuro.

Qualquer mudança de rumo começa dentro de nos mesmos!

Fonte: Contraf- CUT

Última atualização: 04/03/2008 às 10:47:00
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