Diversas entidades sindicais, parlamentares, além de centrais trabalhistas, reuniram-se hoje, 29 de fevereiro, no Sindicato dos Bancários do Ceará (SEEB-CE) para debaterem sobre o Projeto de Lei de autoria do senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), em parceria com o também senador Paulo Paim (PT-RS), que versa sobre a redução da jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais.
O autor do PL, senador Inácio Arruda, se fez presente no evento, ao lado de seus correligionários do PCdoB, deputado federal Chico Lopes e deputado estadual Lula Morais. A mesa foi composta pelos três parlamentares e outros representantes sindicais.
Inácio mais uma vez reiterou sua posição de que a redução da jornada será uma grande conquista de toda a classe trabalhadora. Ademais, o senador alertou que, alem da diminuição no número de horas trabalhadas propriamente, a redução da jornada acarretará, a curto, médio e longo prazo, efeitos paralelos que serão sentidos pelos trabalhadores, mas, sobretudo, pela economia brasileira. A aprovação da redução da jornada semanal para 40 horas “vai gerar dois milhões e quinhentos mil empregos com carteira assinada, fora o impacto no mercado informal, que é algo incalculável”, frisou Inácio.
O deputado federal Chico Lopes (PCdoB-CE) destacou a importância da aprovação do PL do senador Inácio Arruda para os trabalhadores brasileiros. Para Lopes, o mercado de trabalho não oferece oportunidades para os jovens que concluem a universidade. O deputado alega que deveria haver mais espaço no mercado para “essa juventude desenvolver seu potencial”. Desse modo, na opinião do comunista, o PL em debate vem para suprir essa carência de vagas. “O País vem crescendo e esse crescimento tem que trazer um ganho; e este tem que ser revertido em emprego, renda e oportunidade para o brasileiro ter uma vida mais digna”, concluiu o parlamentar.
Reintegração dos demitidos - Como autor do PL que trata da reintegração dos demitidos do BNB no período de 1995 a 2003, Chico Lopes fez questão de esperançar aqueles que foram injustamente desonerados de suas funções no Banco ao explicar sobre o andamento do Projeto. O deputado ressaltou que está providenciando uma reunião com o Ministro do Trabalho, Carlos Lupi, juntamente com uma Comissão de Deputados e Senadores – capitaneada por Inácio Arruda – e uma comissão de bancários. O objetivo é analisar, com o ministro, analisando os custos que a readmissão traria para a União e tentando, portanto, adequar o PL do melhor modo possível. “Queremos negociar com o governo”, pontua Lopes.
Todavia, Lopes mostra-se confiante e afirma que “após essa reunião, dentro de três ou quatro meses o PL estará aprovado”. Ele lembra que o deputado André Vargas (PT-PR) tem se empenhado bastante para dar celeridade a todo esse processo.
Crítica ao trabalho gratuito – Na oportunidade, o diretor Administrativo da AFBNB, Assis Araújo, reconheceu o empenho do senador Inácio Arruda e do deputado Chico Lopes para a aprovação do PL dos demitidos. Quanto à luta pela redução da jornada, o diretor destacou a importância da solidariedade entre as centrais sindicais para o sucesso da campanha. “É preciso realizar grandes manifestações criticando a exploração do trabalhador e a concentração de renda no país, além do conservadorismo de muitos parlamentares em relação a este assunto”, ressaltou. Dessa forma, Assis sugeriu que as centrais divulgassem, em seus informes e sites, a lista dos parlamentares favoráveis e contrários ao projeto. Outro ponto destacado pelo diretor foi a ocorrência rotineira da extrapolação da jornada trabalho no BNB e demais bancos, sem o pagamento das horas extras – o que se caracteriza como trabalho gratuito. “Os sindicatos devem combater este mal e fortalecer a luta contra a exploração do trabalhador, acionando as delegacias regionais do trabalho”, disse Assis Araújo.
Fonte: AFBNB |