GONZAGA MOTA Professor e economista
A transposição de parte da água do Rio São Francisco para o semi-árido nordestino vem ocupando, já há alguns anos, amplo espaço na mídia e nos meios político e técnico-científico nacionais. Vale ressaltar ser um projeto de vital importância para a região, em especial para os Estados diretamente beneficiados, que são os mais duramente castigados pela seca. Precisa, por isso, ser levado adiante. A idéia de transpor parte das águas do São Francisco para o semi-árido, além de ser um projeto destinado ao abastecimento humano e à irrigação, aumenta a garantia da oferta hídrica nos Estados de Pernambuco, da Paraíba, do Ceará e do Rio Grande do Norte. A transposição possibilitará ainda uma operação mais adequada dos reservatórios nos Estados beneficiados, otimizando o uso da água da própria bacia receptora e evitando o desperdício da parte que vai ser retirada do São Francisco. Será mínima, portanto, a perda de água para o rio, uma vez que a captação acontecerá plenamente somente quando da ocorrência de secas que ameacem a garantia de abastecimento nas bacias receptoras. Ainda assim, serão sempre levadas em conta as necessidades dos outros Estados da região e os impactos sobre o meio ambiente.
A questão do impacto ambiental do projeto é, por sinal, a mais comentada e a menos conhecida pelos que se colocam contra a realização da obra. Com efeito, a transposição não terá qualquer impacto a montante ou a jusante do ponto de captação de água no São Francisco. Ou melhor: os estudos realizados até agora, por órgãos de renome nacional e internacional, demonstraram que as vazões a serem transpostas não interferem, do ponto de vista ambiental, nem para montante nem para jusante do ponto de captação. Outro aspecto importante a ser levado em conta é o do baixo impacto do projeto na matriz energética nordestina. A transposição, dizem os técnicos, causará uma redução da geração de energia equivalente a uma usina termelétrica de 200 megawatts. E, mesmo assim, esse impacto só será sentido a partir de 2025, que é quando o projeto estará operando com capacidade plena.
Fonte: Jornal Diário do Nordeste |