Aposta na participação
Nova administração do BNB revoluciona gestão em apenas um ano
Dentro das comemorações de um ano da nova administração do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) foi realizado um almoço com a participação da direção da instituição e representantes dos meios de comunicação social, na qualidade de integrantes da industria da informação e do conhecimento. A ocasião foi propícia para que os novos dirigentes pudessem dizer a que vieram.
Um dos pontos que interessavam de perto a opinião pública - a pendência entre os funcionários aposentados e o banco, deixada pela administração anterior - e que se constituiu num rumoroso conflito de grande repercussão na sociedade, encontrou um bom encaminhamento por parte dos novos dirigentes, que conseguiram no espaço apenas de um ano reconstituir relações esgarçadas pela desarmonia autofágica que minava a instituição. Esse feito, por si só, apresenta-se como uma conquista digna de aplausos, não só por recompor as energias internas do BNB, encaminhando-as para um objetivo comum, como por restaurar uma imagem tradicional de prestígio que a instituição sempre havia gozado junto à opinião pública e que fora afetado pela intolerância.
Para quem acompanhou esse processo tumultuado, de fora, houve momentos difíceis para discernir qual a melhor maneira de ajudar a instituição, pois havia o risco de que sua credibilidade pudesse ser afetada de maneira irremediável se a exposição fosse demasiada, dada a natureza peculiar da atividade financeira, extremamente sensível a condicionantes psicossociais. O que importa agora é que esse processo chegou ao fim, com um desfecho capaz de atender ao senso de justiça e à ética, graças à competência dos novos administradores.
Mas, os resultados positivos não ficaram restritos a esse âmbito de organização interna: do ponto de vista operacional e estratégico os avanços são indiscutíveis. Basta dizer que o BNB está financiando muito mais do que em toda a administração anterior e conseguindo reduzir a inadimplência que se registrava até então, ao mesmo tempo em que trabalha para resgatar linhas de atuação que haviam sido abandonadas. Isso quer dizer, por exemplo, que o BNB retoma uma visão moderna de não ser apenas um banco de desenvolvimento puro, mas incorporar também as funções de banco comercial e de banco de investimento. Apesar de serem funções distintas, elas se entrelaçam para promover o crescimento e o desenvolvimento, que não acontecem se não forem induzidos por esse tripé operacional.
Na verdade, pode-se dizer que a atual administração está causando uma verdadeira revolução cultural com a idéia de abrir uma linha de participação acionária - através do BNB-Par -, fazendo no Nordeste o que o BNDES-Par realiza no Sudeste, isto é, oferecendo às empresas outro caminho de capitalização que não apenas o empréstimo, mas possibilitando-lhes obter capital de giro através da via acionária. Historicamente, o BNDES tem participado do financiamento das empresas através de emissão de debêntures conversíveis ou não, mas também com participação acionária. Entra como acionista através de um contrato que estabelece a recompra das ações pela empresa para, desse modo, a instituição poder financiar outras empresas. Se não quer comprar as ações, a empresa se obriga a abrir o capital, possibilitando ao banco colocar suas ações no mercado e recuperar seu investimento para novos financiamentos.
A revolução cultural decorrente dessa nova linha de atuação, a ser adotada de forma semelhante pelo BNB, será concretizada no meio empresarial, na medida em que o empresário nordestino passar a incorporar esses novos instrumentos da modernidade financeira, adotando práticas de governança empresarial contemporâneas, fundadas na transparência. São elas que dão segurança ao investidor, pois pressupõem regras transparentes que traduzem o respeito sagrado ao acionista. Ao introduzir essas práticas em nosso meio, a nova gestão presidida por Roberto Smith exerce um papel transformador, não apenas do BNB, mas da região Nordeste como um todo, sintonizando-os com a contemporaneidade. Se em apenas um ano registrou-se tamanha transformação, não é temerário apostar em maiores façanhas no desempenho do novo BNB.
Jornal O Povo, Editorial, 14 de fevereiro de 2004 |