Mais da metade (60,8%) dos clientes do Programa de Microcrédito Produtivo Orientado do Banco do Nordeste (BNB), Crediamigo, saíram da linha da pobreza e deixaram para trás sua condição de miserabilidade. Esta foi apenas uma das conclusões da pesquisa elaborada pelo chefe do Centro de Políticas Sociais do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE/FGV), Marcelo Neri.
Ontem, no Rio de Janeiro, o presidente do BNB, Roberto Smith, e o coordenador do Crediamigo, Marcelo Azevedo participaram do lançamento oficial do estudo de Neri. A pesquisa aponta o microcrédito como uma das soluções para a redução da pobreza na região.
O estudo descreve e analisa quantitativamente a atuação do Programa Crediamigo, a partir de uma base de dados composta pelas pesquisas da Economia Informal Urbana (Ecinf) entre os anos de 1997 e 2003, utilizando regressões logísticas e o método de diferenças em diferenças.
Em entrevista coletiva, o economista Marcelo Neri sugeriu associar operações de microcrédito com programas sociais, como Bolsa Família, com “nanocréditos”, podendo ser viabilizados por consignação.
Para ele, os índices alcançados com o Crediamigo e através da transferência de renda podem resultar em transformações sociais expressivas.
“O Bolsa Família melhorou muita coisa, mas os pobres querem ganhar dinheiro com as próprias mãos”, avaliou Neri. “Experiência semelhante já acontece na Argentina e vemos que pode dar certo no Brasil”, defendeu, afirmando que ceder financiamentos tem sido uma política pública sem representar gastos para o governo. “É uma política que dá lucro”, frisou o economista, lembrando que o Banco do Nordeste tem ganhado o valor de R$ 50,00/ano por cada cliente.
O mistério desenhado por Neri no estudo se deve ao fato de que, no Nordeste, o uso do crédito cresceu mais que no restante do País, entre 1997 e 2003. O trabalho chegou à conclusão de que se deve, principalmente, ao Crediamigo do BNB, já que, nesse período, as transferências de renda pelo governo eram reduzidas.
“Tivemos essa conclusão, porque os programas sociais não tinham a intensidade de hoje e pelo Crediamigo representar 65% das cessões de microcrédito no País. Todo esse percentual no Nordeste, faz a diferença, pois é um programa de larga escala e atinge diretamente no foco do problema”, salientou o economista.
Histórico
Há 10 anos em atuação, o Crediamigo já contratou mais de 4 milhões de operações de microcrédito, já tendo atendido mais de 766,5 mil clientes.
Em 2007, foram desembolsados R$ 794,2 milhões, distribuídos em 824,7 mil microempréstimos. Se considerado o tempo da atual gestão, iniciada em janeiro de 2003, os números sobrem para R$ 2,7 bilhões e 3 milhões de empréstimos, respectivamente, na posição de dezembro do ano passado.
O programa oferece serviços financeiros e assessoria empresarial, utilizando metodologia de concessão do crédito baseada no aval solidário, contribuindo para o desenvolvimento do setor microempresarial, assegurando novas oportunidades de ocupação e renda, de forma sustentável, oportuna, adequada e de fácil acesso. O Crediamigo tem hoje 300 mil clientes ativos, com meta de chegar a 1 milhão 2011.
INTEGRADO AO CREDIAMIGO: BNB vai entrar no mercado imobiliário O Banco do Nordeste (BNB) deve iniciar, em dois anos, as operações de financiamento imobiliário, dentro do programa CrediAmigo — de cessão de crédito a pequenos produtores. O projeto, em fase de estudo, foi confirmado, ontem, pelo presidente da instituição, Roberto Smith, e pelo coordenador do programa, Marcelo Azevedo.
Sobre a linha de crédito imobiliário, Azevedo lembra que os financiamentos já acontecem para reformas, no valor de até R$ 5 mil, destinado tanto a imóveis de negócios como residências. ´A idéia é rompermos fronteiras e ampliarmos para compra de casa própria e de local de trabalho, com limites que podem superar R$ 500 mil´, adiantou o coordenador.
Imóveis rurais
Roberto Smith acrescentou que esse tipo de financiamento também pode ser estendido para imóveis rurais. ´Tão importante como ceder o crédito pra viabilizar a abertura de um negócio é ter onde morar bem e trabalhar bem. Muitas vezes, trabalha-se na própria casa´, comentou Smith. ´Estamos estudando tudo isso´, completou.
Fonte: Jornal Diário do Nordeste
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