No último dia 21 de janeiro, o Conselho de Administração do Banco do Nordeste se reuniu e aprovou a proposta de demissão de Victor Samuel Cavalcante da Ponte, agora ex-Diretor Administrativo do Banco. Victor Samuel Ponte assinou, em junho de 2006, de modo ilegal - pois não tinha competência funcional para isso -, um acordo que reduziu, de R$ 65 milhões para R$ 6,6 milhões, uma dívida da empresa Frutas do Nordeste do Brasil S.A. (FRUTAN) com o BNB.
A ação de Victor Samuel causou, segundo relatório da Controladoria-Geral da União (CGU), prejuízo de R$ 31,9 milhões aos cofres públicos. Ainda consta no material apresentado pelo CGU que mais uma dezena de funcionários também está envolvida no caso. De acordo com investigadores que trabalham no caso Frutan, o loteamento político da diretoria do Banco é, talvez, a principal causa de irregularidades presenciadas na Instituição nos últimos anos. Isto porque a distribuição dos financiamentos acaba, segundo eles, seguindo critérios mais políticos e partidários que técnicos.
Diante do fato, a AFBNB reitera o seu posicionamento quanto ao perfil dos administradores do Banco do Nordeste, diante do grande desafio de levar o País a trilhar outros caminhos, de desenvolvimento, equidade e justiça social, em especial em relação à região Nordeste.
Os requisitos fundamentais exigidos de um Diretor de um banco oficial de desenvolvimento são: reputação ilibada, tradição de seriedade e honestidade no trato e na gestão de assuntos públicos ou privados; competência e experiência técnica e na gestão pública ou empresarial (privada), de preferência na área financeira e de crédito para desenvolvimento; conhecimento técnico sobre o BNB; conhecimento das questões econômicas e sociais do Nordeste, do Brasil e do mundo; competência para navegar no universo político e empresarial, nordestino e do centro-sul; tradição de gestão transparente, ética, democrática e participativa, com respeito às pessoas e à dignidade do trabalho.
Histórico – Desde que o escândalo veio à tona, no cenário nacional, após matéria veiculada pela revista semanal Época, a AFBNB tem acompanhado permanentemente todo o desenrolar do caso e ainda no ano passado encaminhou documento pedindo informações e dados sobre o fato à Controladoria-Geral da União (CGU); Superintendência de Auditoria do BNB, Gabinete da Presidência do BNB (Gapre) e Superintendência Estadual do Piauí (Super-PI), estado sede da Frutan. |