Um baiano será o primeiro a comandar a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), após a recriação do órgão em 2007. Paulo Fontana, atual presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), foi escolhido como novo superintendente da Sudene ontem, após uma reunião entre ele e o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), ocorrida no Palácio de Ondina. Na prática, a escolha foi tão técnica quanto política, pois a indicação de Fontana envolveu uma demorada negociação entre o governador e o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, a quem o presidente da CBPM é ligado.
O POVO apurou ontem, junto à assessoria de comunicação da Sudene em Recife (Pernambuco), que a posse de Fontana deve ocorrer entre os dias 11 e 15 de fevereiro. O setor de Comunicação da CBPM informou que Fontana só concederia entrevista após a sua nomeação oficial, o que está previsto para depois do Carnaval.
Paulo Fontana é um desconhecido entre os representantes do setor produtivo cearense e autoridades do Governo do Ceará, consultados ontem pelo O POVO. Formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e com mestrado em Administração Pública, Fontana já ocupou cargos públicos como de secretário de Transportes de Feira da Santana (na Bahia) e de diretor da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicação da Bahia (Agerba).
Agora, Paulo Fontana, na opinião dos especialistas e empresários do Ceará, terá a difícil tarefa de administrar um órgão recriado para fomentar o desenvolvimento do Nordeste, mas que conta com poucos recursos e estrutura reduzida. O presidente da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), Roberto Macêdo, é enfático em dizer que a Sudene "nem existe mais" na prática. "É um órgão falido e que está fora do ar há muitos anos. Além disso, não tem orçamento e nem condições técnicas de desenvolver o Nordeste. Para o Ceará, terá um impacto perto do zero", afirma.
A questão do orçamento limitado parece ser mesmo o principal gargalo da nova Sudene. O economista Fernando Castelo Branco Ponte, que é membro do Conselho de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), explica que o órgão terá apenas R$ 1 bilhão por ano para investir em projetos de infra-estrutura e empresariais dos nove estados do Nordeste. "O órgão poderá entrar com no máximo 60% do valor de cada projeto", acrescenta.
O dinheiro virá do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), criado para sustentar a Agência Nacional de Desenvolvimento do Nordeste (Adene), que substituiu a Sudene. A Adene agora será extinta. A lei que recriou a Sudene, assim como a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), foi publicada no Diário Oficial da União em janeiro de 2007. A regulamentação dos órgãos, entretanto, só saiu em agosto do ano passado.
Segundo lembra Castelo Branco, as grandes obras para a região exigem muito mais recursos do que a Sudene tem disponível em caixa. A ferrovia Transnordestina, exemplifica, vai precisar de recursos superiores a R$ 3 bilhões. Para o membro do Conselho da CNI, o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) devem continuar sendo os principais financiadores dos investimentos na Região, cabendo à Sudene uma atuação secundária - mais na parte de planejamento.
Fonte: Jornal O Povo
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